Bilhete aos pais

Como a família e os professores podem facilitar a vida escolar de crianças com DII
É comum pacientes de Crohn ou Colite Ulcerativa terem dificuldades para lidar com a doença quando estão fora de casa. Imagine então o quanto isso é duro para as crianças e jovens. O embaraço começa já na hora de explicar do que se trata a doença. E continua na escola, onde eles têm que pedir permissão para ir ao banheiro todas as vezes em que isso se fizer necessário. Supõe-se que os profissionais que trabalham dentro desse tipo de instituição, estejam aptos a entender melhor as necessidades desses alunos, após serem esclarecidos sobre os sintomas da doença.
Quanto aos pais, é preciso que eles estabeleçam o quanto e o que a escola deve saber sobre o assunto. Alguns preferem guardar para si as condições de saúde dos filhos, no intuito de poupá-los de eventuais discriminações a respeito da rotina escolar. Outras famílias, no entanto, são mais abertas e acreditam que levar constantemente informações sobre a doença para a escola é essencial. Elas entendem que


os professores têm inúmeros problemas para resolver durante o dia e que pode ficar realmente muito difícil prestar atenção na rotina de um único aluno. Ainda mais quando existe uma programação de medicamentos para serem tomados três vezes por dia, por exemplo. Há quem resolva esta questão providenciando que isso aconteça da seguinte forma: uma dose antes do horário escolar, a segunda dose após esse período quando, teoricamente, a criança já está em casa, e a última, antes de ela ir para a cama à noite.
De forma clara e objetiva, aqui estão alguns conselhos que podem ajudar a convivência diária entre a escola e os alunos com Crohn ou Colite Ulcerativa a se tornar mais agradável e pacífica:

l A quem os pais devem procurar na escola para tratar do assunto?
Geralmente, um conselheiro ou diretor cuida de situações especiais que envolvam os alunos. Também é necessário que a pessoa responsável pelo departamento médico da escola esteja a par do problema de saúde do aluno. Todos eles podem conversar com o professor da criança deixando-o por dentro dos cuidados e necessidades que ela possa vir a ter durante o tempo em que está na escola. Se a criança ou jovem tiver vários professores por dia ou por semana, os pais devem estar seguros de que todos eles estão sabendo das limitações que o aluno tem.
l O que realmente deve ser abordado com o diretor ou com a enfermeira da escola?
Primeiro, os pais devem contar sobre o diagnóstico médico do filho, usando termos bastante simples e específicos e deixando claro, sobretudo, que os sintomas não podem ser controlados por quem é portador da doença, no caso a criança ou o jovem aluno. Os pais precisam descrever os sintomas que podem provocar alguns problemas para o pacientes, além de situações embaraçosas. Pode ser de extrema ajuda providenciar materiais que esclareçam as Doenças Inflamatórias Intestinais, suas causas e conseqüências.

l O que deve ser solicitado à escola?
Exatamente o que os pais acreditam que deve ser pedido. Aqui, de novo, eles têm que ser bem específicos. Exemplo: se o aluno precisa usar o banheiro com algum privilégio - por um tempo maior ou até tomar um meio-banho caso seja possível - eles precisam pedir por isso. É compreensível que as escolas tenham suas próprias regras de conduta para os alunos e, sendo assim, os pais precisam estar certos de que o estabelecimento em que seu filho estuda é mesmo apropriado para ele em todos os sentidos.

l O que os pais devem fazer quando os profissionais da escola não dão ouvidos ao problema de saúde do seu filho?
Antes de mais nada, os pais têm que estar certos de que foram bem específicos ao explicar o diagnóstico médico do seu filho e suas necessidades. Isso quer dizer já ter providenciado todas as informações escritas a respeito do problema e esse material já ter sido encaminhado para todos os níveis hierárquicos da escola. Os pais não podem ficar somente aguardando que o diretor ou um professor já tenham feito isso por eles. Se nada disso tiver resultado, é melhor encontrar uma escola cujos métodos e regras estejam mais de acordo com as necessidades do filhos.

l Os pais precisam dar todas essas explicações a cada mudança de ano letivo?
Sim. Quanto mais cedo a escola for comunicada do problema e puder se preparar para atender às condições de saúde da criança ou do jovem, mais chances existem de tudo dar certo. A cada novidade médica relevante a escola, nova ou a de sempre, deve ser comunicada.

Olho: O responsável pelo departamento médico da escola precisa estar a par do problema de saúde do aluno