Heróis Locais

A partir desta edição, estamos oficializando uma nova seção na nossa ABCD em Foco, que certamente nossos leitores irão gostar: trata-se da página sobre Heróis Locais que, seguindo os exemplos da matéria de capa da última edição da revista, pretende mostrar histórias de pacientes de Crohn ou de colite ulcerativa que têm mais o que contar além de falar de sintomas e diagnósticos. Desta vez, vamos contar o caso de Clésio Rodrigues, de 54 anos, que mora em São Paulo, é empresário, e tem a doença de Crohn. “Acho que eu nasci com Crohn, pois a minha vida toda eu tive problemas com o intestino, mas só há 20 anos descobri o meu diagnóstico. Já passei por períodos difíceis com crises, fiz uma cirurgia para tirar 60 cm do intestino que estava obstruído e há seis anos a doença está bem controlada. Tomo diariamente Pentasa e Entocort e procuro cuidar da minha alimentação”, conta Clésio que é casado e tem dois filhos, já adultos.
 Há um ano, porém, o empresário enfrentou alguns contratempos que, embora não tivessem nenhuma relação com a doença, lhe trouxeram uma certa dor de cabeça e muita tristeza no coração, como ele costuma dizer. É que ele descobriu uma hérnia de disco na coluna e os médicos lhe sugeriram abrir mão da equitação, uma paixão de infância (ele já fez a cavalo várias romarias, como a de Pirapora de Bom Jesus, no interior de São Paulo), e optar por exercícios mais leves, sem tantos sobressaltos, como fazer caminhadas. Clésio acatou a recomendação médica, se desfez de tudo o que tinha a ver com equitação - cavalo, arreio, botas -, e radicalizou na sugestão em busca de novos desafios: fez o percurso de 241 Km do Caminho do Sol, um roteiro similar ao famoso Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, só que no Brasil, que liga as cidades de Santana do Parnaíba a Águas de São Pedro, ambas no interior do Estado de São Paulo. No dia 24 de março deste ano ele partiu sozinho, literalmente (naquela data não estavam programadas saídas de mais pessoas), munido de uma mochila contendo 2 fraldas para servirem de toalhas, duas camisas, duas calças de tactel, que podiam ser usadas também como bermudas, e mais um nécessaire com produtos básicos para a sua higiene. Foram 11 dias de caminhada e a sua rotina diária era fazer trechos de 20 Km, em média, sendo que ele caminhava durante as manhãs, das 7h às 12h, e à tarde visitava os pontos turísticos da região onde estava hospedado ou simplesmente descansava para se preparar para o trajeto do dia seguinte. “Foi ótimo. O caminho é todo monitorado pelo grupo que organiza as caminhadas e eu estava sempre sendo esperado em todas as pousadas em que fiquei. Me sinto como se tivesse feito um retiro espiritual”, conta o empresário. Com relação ao Crohn, Clésio não tem do que se queixar. “Eu não tive nenhum problema. As instalações das pousadas eram simples, a comida era simples, mas havia banheiros em todo o percurso que, além de serem ao ar livre, faziam vista para a natureza”, brinca o empresário, que pegou o gosto pela coisa. No segundo semestre deste ano ele quer fazer o Caminho da Fé, que liga as cidades de Tambaú a Aparecida do Norte, também no interior de São Paulo e, para 2008, tem o objetivo de conhecer o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. “Para mim, fazer o Caminho do Sol já foi uma conquista”, diz ele.