De olho no íleo

Aprovação do Humira pelo FDA

Acaba de ser aprovado pelo FDA, o órgão americano­ regulador de medicamentos no mercado, o Humira, nome comercial da droga Adalimumabe, para o trata­men­to­ da Doença de Crohn. O medicamento que é bio­lógico, é um anticorpo anti-TNF 100% huma­nizado que tem como principal ação diminuir o TNF (Fator de Necrose Tumoral) que é o principal mediador da inflamação na Doença de Crohn. Sua administração é feita por injeção subcutânea (sob a pele), sendo que a manutenção é feita com aplicações quinzenais. Este medicamento já estava no mercado para o tratamento de artrite reumatóide, artrite psoriática e espondilite anqui­losante, e agora se junta ao arsenal terapêutico contra a doença de Crohn. Segundo o Dr. Douglas Throck­mor­ton, diretor do FDA, “o Humira foi eficaz em casos de Doença de Crohn, moderada a grave, que não respondiam aos tratamentos conven­cionais e em pacientes que não se beneficiaram ou se tornaram intolerantes ao Infliximabe (Remicade)”.

Por falar em medicamentos...

A Elan Corporation e a Biogen Idec, duas compa­nhias­­ que costumam apostar em desafios científicos­ ao redor do mundo anunciaram, também no final­ de 2006, o pedido de aprovação pelo FDA do Tysabri, outro me­­dica­­mento para os casos de moderado a severo­ da doença de Crohn. Este medicamento, aliás, já vem ­sendo indi­cado­­­­­­ na União Européia para o tratamento de pacientes ­­­com o quadro muito ativo de esclerose ­múltipla.

Mais pontos para o Certolizumabe

O final de 2006 foi realmente quente para a indústria farmacêutica que está numa briga acirrada contra a doença de Crohn. É que nesta época também foi anunciado que os testes clínicos com o Cimzia, nome comer­cial do certolizumabe pegol (outro anti-TNF), foram extremamente animadores, apontando para a remissão dos sintomas nos pacientes de casos moderados a severos. Segundo esses testes, os pacientes que conviviam há menos de um ano com o Crohn foram os que se saí­­ram melhor. Todos esses resultados com o Cimzia foram apresentados para a comunidade médica internacional na Semana Européia de Gastroenterologia, rea­lizada em outubro de 2006 em Berlim, na Alemanha, assim como na reunião do Colégio Americano de Gas­tro­en­terologia, que ocorreu nesta mesma época em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Vitamina D nas crianças com a doença de Crohn

Assim como o cálcio, a vitamina D também é impor­tante para os ossos e alguns estudos têm sido feitos para avaliar a densidade mineral óssea, sobretudo em crianças e adolescentes que têm uma doença inflamatória intestinal. No final do ano passado foi feito um estudo com este objetivo no Children’s Hospital, de Boston nos Estados Unidos, reunindo 130 pessoas com este diag­nóstico, sendo que 94 delas tinham a doença de Crohn e 36, colite ulcerativa. Nesta ocasião verificou-se que 35% desse total de pacientes apresentavam deficiência de vitamina D e que isso acontecia de forma se­melhante tanto nos pacientes de Crohn quanto nos de colite ulcerativa. Observou-se também que a deficiên­cia de vitamina D foi mais comum nos pacientes com cor de pele escura, no inverno, e nos pacientes com doen­ça de Crohn com anormalidade do intestino delgado. Portanto, a deficiência da vitamina D nos indi­víduos com doença inflamatória intestinal pode ser decorrente da baixa exposição ao sol por parte desses pacientes, da falta de apetite e menor ingestão de alimentos, da má absorção do intestino e da perda protéica intestinal. “Há alguns aspectos desse estudo que devem ser considerados, mas outros fatores, como a exposição dos pacientes estudados à luz solar e a quantidade de vitamina D ingerida por eles não foram analisados nesse trabalho. Assim, outros estudos devem ser realizados no sentido de evidenciar a real causa da hipovitaminose D nos pacientes com doença inflamatória intestinal e quais seriam os benefícios da suplementação de vitamina D”, diz a Dra. Vera Lúcia Sdepanian, professora adjunta, doutora, da Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica da UNIFESP. Esta disciplina da UNIFESP, aliás, defendeu, recentemente, tese de mestrado demonstrando que 25% de um total de 40 pacientes estudados com DII apresentaram redução da densidade mineral óssea, o que confirma que elevada proporção das crian­ças e adolescentes com uma doença inflamatória intestinal apresenta redução da massa óssea. “É de fundamental importância a avaliação da densidade mineral óssea desses pacientes no momento do diagnóstico, ­assim como no decorrer do tratamento para se diagnosticar e, se necessário, tratar os indivíduos que apresentam redução da massa óssea, reduzindo o risco de fraturas ósseas”, chama a atenção a Dra. Vera.