Minha História

Silvana penou, mas acabou aprendendo a lidar com o Crohn


O ano de 2000 marcou definitivamente a vida de Silvana Tereziano Barros, uma jovem que mora na cidade de Paranavaí, a 70 km de Maringá, no Paraná. Com 19 anos naquela época, ela estava pronta para rea­lizar os seus sonhos: além de prestar o vestibular para estudar Letras, ia se casar. E foi o que aconteceu, só que não da maneira como ela imaginara. Naquele ano, sua mãe começou a sentir dores terríveis pelo ­corpo – era um câncer nos ossos. Como filha única Silvana, naturalmente, ficou muito abalada. Como conseqüência à tantas emoções, boas e más, a então noiva foi ata­cada por dores abdominais e nas juntas. Os médicos suspeitaram de uma infecção no apêndice e trataram-na com antibióticos. Situação contornada, ela, enfim, casou-se - a mãe assistiu a cerimônia na igreja numa maca.
Na semana seguinte ao seu casamento, suas dores pioraram e ela veio procurar um médico em São Paulo, embora já tivesse um em sua cidade natal. Não adian­tou de nada, pois nenhum quadro foi identificado e ela foi piorando. Chegou a um ponto em que já não conseguia sair da cama e andar. Àquela altura, os médicos suspeitavam de um problema ginecológico ou gastroentestinal. Em setembro daquele mesmo ano, ela fez uma cirurgia para tirar a trompa direita e seu apêndice, que estava provocando uma infecção. Ficou internada 3 dias, mas saiu sem seu problema resolvido. Uma semana depois, as dores pioraram e ela teve que passar por outra cirurgia no abdome. Desta vez tirou 200ml de pus e ficou 10 dias internada. Seu calvário, no entan­to, ainda não tinha terminado. Passados 30 dias desta cirurgia, começou a sentir febre, sem saber de onde vinha. Para completar, nesse ínterim ela teve uma fístula no intestino, que a levou novamente para a mesa de cirurgia. Foi quando os médicos descobriram que ela tinha uma infecção que estava concentrada no intestino. Foi feita, então, uma raspagem. Finalmente, a infec­tologista que fazia parte da equipe de médicos que a acompanhava resolveu fazer uma colonoscopia.

Silvana Barros "Silvana Barros" Hoje eu sei diferenciar nervosismo de ansiedade, esta
sim inimiga do Crohn"

“Foi um tiro certeiro porque aí descobriram que eu tinha doença de Crohn”, conta Silvana. Isso já era outu­bro. Como um calendário, o tempo na vida de Silvana foi sempre marcado pela piora ou melhora do seu estado físico. No final de 2000 ela se mostrava bem, mas em janeiro de 2001 sofreu um outro baque: sua mãe fa­leceu. A vida seguiu e, no fim de 2004, conseguiu terminar a faculdade, graças ao seu empenho e à compreensão dos professores para as suas faltas. No campo da saúde, foi neste ano que ela experimentou outros tipos de tratamento, passando pela homeopatia, acu­pun­tura e terapia. Foi nesse ano também que ela e o marido, que até então tinha sido seu companheiro na saúde e na doença, começaram a ter problemas no casa­mento. Há 6 meses o casal se separou. A última crise do Crohn de que se lembra foi em 2005, um ano em que teve muita depressão, mas que não a impediu de fazer uma pós-graduação. O seu último exame de colo­nos­copia, feito em novembro do ano passado, mostrou que a doença está em fase de remissão. “Hoje aprendi a lidar com as minhas emoções, a diferenciar nervosismo de ansiedade, esta sim inimiga do Crohn”, diz Silvana, que agora é professora de inglês. “Passei por emoções muito fortes e sobrevivi – só tenho que agradecer a Deus.”