Em Foco
Psicologia estratégica

Desde o final do ano passado, a filial da ABCD de Maringá, no Paraná, vem oferecendo a seus associados um serviço de atendimento psicológico que está fazendo diferença no dia a dia dos pacientes. É que depois de fazer uma parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM), esta filial passou a contar com o apoio da coordenadora e supervisora da Unidade de Psicologia Aplicada da UEM, a Dra. Vânia Lúcia Pestana Sant’Anna, que também é coordenadora do curso de especialização em Psicoterapia Comportamental-­Cog­ni­tiva e Análise do Comportamento. A partir ­disso, foi constatado que, antes mesmo de ter confirmados os seus diagnósticos, os portadores de doenças inflamatórias intestinais experimentam mudanças significativas em sua vida que contribuem para aumentar o seu nível de estresse e a sua ansiedade diária.
As razões para este quadro são fáceis de compreender: na maioria das vezes, essas pessoas passam por hos­pi­ta­lizações freqüentes, precisam de um tratamento medi­ca­mentoso constante, visitam seu médico seguidamente, têm que seguir uma dieta específica para reduzir alguns sintomas e ainda outras limitações impostas pela própria doença, como diarréia crônica, por exemplo. “É um ciclo que necessita ser rompido e para que isso ocorra o psicólogo comportamental estabelece estratégias de intervenção com o objetivo de reduzir os comportamentos incompatíveis com um estado mais saudável”, diz Cláudia Christina Sanchez Nardo, uma das psicólogas que está à frente desse trabalho da filial da ABCD junto com Andréia Cristina Formaggi, a outra psi­cóloga. “Nessas sessões se promove o desenvolvimento de habilidades específicas que possibilitem ao pacien­te uma melhoria da sua qualidade de vida com a conseqüente redução dos sintomas da doença e da ansiedade”, diz Cláudia.
A grande ferramenta deste trabalho de acompanhamento psicológico que vem trazendo bons resultados para os pacientes são as técnicas de relaxamento utilizadas nas sessões de psicoterapia. A partir das referên­cias da área médica que indicavam que os pacientes de DII tinham o seu estado agravado quando estavam sob o efeito de grande ansiedade provocada por situações de intenso estresse, as profissionais de psicologia imaginaram que fazer um trabalho que reduzisse essa ansiedade iria auxiliar no processo de recuperação dos pacien­tes, fosse contribuindo para que as crises não se intensificassem pelos quadros de ansiedade inten­sa, fosse contribuindo para que elas sequer se desencadeassem pelo mesmo motivo. “Este estado acaba se tornando habi­tual e muitas vezes as pessoas não o percebem, nem têm consciência de que ele é alimentado pela maneira como se comportam ou até como pensam”, diz Cláudia. “Neste caso, o relaxamento seria uma técnica de contra-condicionamento utilizada como parte de um processo terapêutico complexo que tem o objetivo de analisar e modificar esses comportamentos disfuncionais na vida desses indivíduos” acrescenta a psicóloga.

Foram atendidas até agora 27 pessoas. Elas ­passaram por uma avaliação individual e depois foram encaminhadas para uma terapia individual ou em grupo. Segundo ­informações médicas e relato dos próprios pa­cientes houve redução das crises recidivas, o que quer dizer que, em meio ano de trabalho, o serviço psicológico oferecido na filial da ABCD já está obtendo excelentes resultados. Hoje, os pa­cientes já conseguem distinguir quando estão mais relaxados e quando estão mais tensos e este autoco­nhe­cimento é fundamental para que eles aumentem o seu autocontrole. “Esse trabalho está sendo feito de forma praticamente individual e eu estou muito entusiasmada”, diz Sueli Bárbara Nickel, 47 anos, portadora de Crohn há mais de 12 anos e que freqüenta o grupo de Psicologia da filial da ABCD em Maringá desde o início. “Estou conseguindo me controlar mais, manter a calma e não ficar estressada tão rapidamente quanto eu ficava antes”, conta Sueli que é ­casada e tem três filhos.