De olho no Íleo


Parabéns Remicade!

Faz oito anos que o Remicade, remédio que tem sido o salvador da pátria de muitos doentes de Crohn foi lançado nos Estados Unidos. No Brasil, chegou oficialmente em 2001, embora já fosse usado por brasileiros “Cro­hnistas” que o importavam particularmente desde outubro de 1998. Desde então o medicamento, que atua diretamente no bloqueio chave do processo inflamatório da doença, vem sendo muito festejado por sua eficácia. Com raras exceções, a aplicação do Remicade tem proporcionado uma grande melhora na ­ qualidade de vida dos pacientes de Crohn e de outras doenças inflamatórias. “Sem dúvida, esta droga mudou a história natural de doenças inflamatórias como o Crohn e ­outras auto-imunes”, diz a Dra. Andréa Vieira, médica assistente da clínica de Gastroenterologia do Departamento de Medicina da Santa Casa de São Paulo. A Dra. Andréa passou a prescrever o Remicade quase três anos atrás, sempre com bons resultados. “Apesar de não oferecer a cura destas doenças, este medicamento reduz significativamente os sinais e sintomas dos pacientes”, acrescenta a médica. “Ele foi o primeiro das novas revo­lucionárias classes de agentes que bloqueiam a chave do mediador inflamatório chamado fator de necrose tumoral alfa.”
O Remicade, cujo princípio ativo é o Infliximabe, foi aprovado pelo FDA, o órgão americano controlador de medicamentos, em 24 de agosto de 1998 e atualmen­­te está em 72 países. Estima-se que, em todo o mundo, cerca de 630 mil pacientes já tenham testado essa droga que pode ser indicada também para os portadores de artrite reumatóide, espondilite anquilosante, psoríase e artrite psoriática, além, da doença de Crohn. No ­final do ano passado, a comunidade médica recebeu a ­notícia de que o Infliximabe foi aprovado para tratar dos pacien­tes de colite ulcerativa e a Dra. Andréa lembra que, em maio deste ano, ele foi aprovado para uso em crianças com doença de Crohn. “Além de todos os seus benefí­cios o Remicade abriu o caminho para esperanças futuras de tratamentos baseados na biologia molecular”, comemora a médica da Santa Casa. Viva o Remicade!!

Mais uma notícia boa sobre o Remicade
O Accent II, um estudo realizado no Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, nos Estados Unidos, trouxe mais resultados positivos sobre o uso deste medicamento, comprovando que ele não provoca o desenvolvimento de abscessos, nem de fístulas no organismo dos pacientes. Este estudo foi feito com 282 pacientes com Crohn, que foram divididos em dois grupos - os que tomaram Infliximabe na proporção de 5 mg/Kg e os que tomaram apenas placebo. Sua conclusão mostrou que o uso do Infliximabe pode, sim, ser indicado para o tratamento de manutenção na doença de Crohn. De sintomas como abscessos e fístulas a grande maioria dos pacientes quer ficar longe. Ufa!

Mudança de foco
Circulou uma notícia em um site da Internet, o Newsday.com, dizendo que cientistas americanos e médicos ingleses realizaram estudos sobre o sistema imunológico dos pacientes com doença de Crohn com o objetivo de encontrar novas terapias de tratamento. As terapias ainda precisam de mais pesquisas, mas os cientistas (Eureka!!) acabaram chegando a uma abordagem diferente do que se conhecia até então sobre este assunto, com base no fato de que pacientes com Crohn apresentam deficiência na chamada imunidade inata do organismo, nossa primeira linha de defesa. “No tratamento da doença de Crohn, nós tradicionalmente temos focado a inibição da resposta imunológica adaptativa exacerbada dos pacientes através de medicamentos como o infliximabe, imunossupressores e corticóides, entre outros. Até recentemente, ninguém tinha pensado em estimular a imunidade inata do pa­ciente que, conforme mostraram os estudos, também pode gerar um ótimo resultado”, diz o Dr. Adérson Damião, médico gastroenterologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Pelo que se viu agora, um medicamento como o Leukine, usado nestas pesquisas, pode aumentar a imunidade inata do paciente. Os médicos também testaram o Viagra, é isso mesmo, aquele medicamento para aumentar a função erétil nos homens, que poderia ajudar a aumentar o fluxo sanguíneo dos pacientes. O que acontece é que a inflamação excessiva, provocada pela doença de Crohn, acaba reduzindo o fluxo sanguíneo para o local da lesão e o Viagra, neste caso, seria muito útil para melhorar este fluxo e propiciar o influxo de células imunológicas na região inflamada, favorecendo assim a recuperação.
“Com base nestes estudos, daqui para frente teremos que considerar para o trata­mento da doença inflamatória intestinal, e em particular da doença de Crohn, estas duas vias imunológicas, ou seja, estimular ou incre­mentar a imuni­dade inata e inibir a imunida­de adapta­tiva”, diz o médico do HC. Este hospital, aliás, já tem um projeto com esse esquema para ser testado em animais. Esta também é uma boa notícia!

Farmacogenética na DII

Está sendo realizado um estudo sobre farmacoge­né­tica em DII no Hospital Universitário de Gasthuisberg, em Leuven, na Bélgica, com o objetivo de individualizar um tratamento proposto de acordo com a genética peculiar do paciente, para torná-lo mais eficaz e seguro. Como o leitor não é obrigado a saber o que é far­ma­cogenética, vamos à sua explicação: é o estudo da associação entre as várias respostas e efeitos adversos dos medicamentos e os polimorfismos genéticos, o que quer dizer mutações que podem ocorrer. “É o futuro do tratamento médico”, diz o Dr. Mário Geller, Presidente do Capítulo do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia, Setor de Comunicações. “Podería­mos ter medicamentos sob medida para perfis genéticos selecionados de pacientes”, acrescenta o Dr. Geller. A proposta, no caso, seria a de determinar os genes que modulam o potencial de eficácia ou toxicidade dos me­di­camentos utilizados no tratamento de colite ulcerativa e doença de Crohn, ou seja, a sulfasalazina, a mesala­zina, a azatioprina, a 6-mercaptopurina, o metotrexate, os corticóides e o infliximab. Segundo o estudo, até agora ficou demonstrado apenas um polimorfismo no gene de TPMT (tiopurina S-metiltransferase) e na toxicidade hematológica da tiopurina. São necessários, entretanto, estudos futuros controlados para uma maior abran­gência conclusiva sobre o assunto. “Os pacientes envol­vidos em estudos clínicos deveriam fornecer dados dos seus genes para esta finalidade terapêutica promissora”, sugere o Dr. Geller.