Caminhada pelo Crohn e pela colite
No dia 9 de julho, às 8h30, vai acontecer uma movimentação diferente no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Trata-se da 1ª Caminhada para o Crohn e a colite, que tem o objetivo de chamar a atenção para estas duas doenças inflamatórias intestinais. A caminhada reunirá pacientes, seus familiares, médicos, simpatizantes desta iniciativa e membros da ABCD, a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, que dá apoio ao evento. Esta caminhada vai acontecer simultaneamente à outra caminhada que tem a mesma finalidade, só que estará a quilômetros de distância: no Hyde Park, em Londres, Inglaterra. “Será a quarta vez que realizaremos este evento em Londres e estamos encantados com o fato de o Brasil juntar-se a nós”, diz Natasha Adley, da Walk for Crohns. Criada em 2002, a Walk for Crohns é uma ONG que tem por meta ser uma porta-voz dos portadores destas doenças inflamatórias intestinais, que são crônicas e não têm cura, e que já levantou mais de 65 mil euros em doações para pesquisas para a cura da doença de Crohn e da colite ulcerativa.
A Walk for Crohns tem conseguido atrair muita publicidade para essas caminhadas e, conseqüentemente, uma atenção maior das pessoas sobre este assunto. “Neste dia teremos bandeiras, pôsteres e camisetas com temas brasileiros e ainda um belo show de capoeira”, diz Natasha. “Esperamos que no próximo ano este evento já esteja espalhado por toda a Europa.” Para participar da caminhada no Ibirapuera basta fazer a inscrição na sede da ABCD de São Paulo (Al. Lorena, 1.304, 8º andar, maiores informações através do fone 3064-2992 com Izabel ou Célia). Por R$ 20,00 o participante recebe um kit contendo uma camiseta, o boné da ABCD e uma pulseira da campanha Got Guts.
A iniciativa é excelente e a ABCD espera que a adesão dos pacientes de Crohn e de colite ulcerativa surpreenda... Não deixe de participar e boa caminhada!

Uma senhora tatuada
“Eu quero contribuir com todos que precisarem de ajuda para superar as dificuldades causadas pela doença de Crohn”, costuma dizer D. Mari Falluh, que é natural de São Paulo, tem descendência árabe e, apesar de ter tido problemas intestinais durante a vida toda, com internações hospitalares, inclusive, só descobriu ser portadora da doença de Crohn há 13 anos. Para atingir seu objetivo D. Mari tomou uma atitude que ninguém esperaria de uma senhora de 64 anos, como ela: fez duas tatuagens em seu braço esquerdo. O que ela tatuou? O logotipo da ABCD e a expressão “Got Guts”, marca registrada da campanha mundial de divulgação da colite ulcerativa e da doença de Crohn, que foi lançada no início deste ano pela CCFA, a Fundação Americana de Crohn e Colite Ulcerativa, com o apoio da ABCD, Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn.
“Foram quase duas horas para fazer as tatuagens, mas não me incomodei, nem senti dor”, conta esta senhora falante e simpática, casada e mãe de um oficial da Marinha. Na verdade, D. Mari teve a idéia de se tatuar depois de ler uma matéria com o guitarrista Mike MacCready, da banda Pearl Jam, em que ele dizia querer divulgar cada vez mais a doença, de que também é portador, para ajudar as pessoas e levantar fundos para as pesquisas em prol da cura dessas doenças inflamatórias intestinais. “Desde que fiz as tatuagens muitas pessoas me perguntam o que elas significam. É aí que aproveito a oportunidade de falar sobre a minha doença e ajudar a esclarecer quem tem dúvidas”, diz D. Mari, toda orgulhosa.
Abrindo a porteira
Eis uma excelente notícia para todos os pacientes de Crohn: Lafaiete Ferreira Julio Junior, portador da doença, está prestes a conseguir se aposentar por invalidez pelo INSS em função do Crohn. Detalhe: ele tem apenas 37 anos de idade. Agora em abril, o Juizado Federal de Presidente Prudente, cidade no interior de São Paulo onde mora Lafaiete, condenou o INSS a antecipar os efeitos da tutela, o que quer dizer que Lafaiete passará imediatamente a receber mensalmente o benefício do INSS, como se já tivesse sido aposentado. Lafaiete descobriu que tem Crohn em 1996 e há três anos está desempregado. Já fez duas cirurgias, ambas para tirar as partes do seu intestino que estavam com estenose - ao todo perdeu 75 cm do intestino. Hoje tem dificuldade para trabalhar por conta de uma anemia crônica que lhe causa muito mal estar e o obriga a tomar sangue uma vez por mês.
Se a sentença for a favor de Lafaiete e ele conseguir se aposentar sua vida sem dúvida ficará muito melhor. Ele ainda não sabe o montante que irá receber no total - a sentença deverá ser retroativa a 1993, ano em que foi demitido e que seu advogado iniciou o processo. Tampouco sabe de quanto será, a partir de agora, o seu benefício mensal, mas já está fazendo planos. "Vou quitar meu apartamento e, se possível, comprar uma casa e um carro", comemora o rapaz, que é casado pela segunda vez e tem dois filhos do primeiro casamento. "Também quero fazer para os meus filhos tudo o que eu até hoje não pude", diz Lafaiete, que nesse período de vacas magras contou com a ajuda do salário de sua mulher. Seu advogado, que trabalhou sem receber honorários, acha que o INSS poderá recorrer da decisão. "Se isso de fato acontecer o caso ficará mais um ano e meio no tribunal" diz Silnei Siqueira, especializado em direito trabalhista e previdenciário. "Mas foi uma excelente decisão - e tem boas chances de ser mantida e a sentença final ser a aposentadoria." Usando o termo mais apropriado nos meios legais, se a aposentadoria sair o caso de Lafaiete abrirá um precedente. Se outras pessoas, nas mesmas condições, seguirem o seu exemplo isso vai gerar o que é considerado jurisprudência e aí a coisa vai ficar mais séria. Não vale a pena arriscar?