De olho no íleo


Mais um medicamento...
Os resultados dos testes preliminares com o Tedu­glu­tide, medicamento aplicado em injeções sub­cu­tâneas diárias nos pacientes de Crohn, ­de­ram­ um novo ­ânimo para investigar se é me­l­hor­ ele ser aplicado isoladamente ou se é pre­fe­rí­vel­ que ele se junte a outros medicamentos. Isso por­que em 100 pacien­tes que receberam o tedu­glu­ti­de, quase 37% tiveram ­remissão dos sin­­tomas depois de duas semanas de tratamento,­ e 56% depois de oito semanas. “Remissão de sin­­tomas nessas proporções são incomuns em tes­tes clínicos e sugerem que este medicamento po­de ter um importante papel no tratamento da doença de Crohn”, diz Alan Buchman, pro­fes­­­sor associado e diretor do Centro de Doenças­ In­flama­tó­rias Intestinais da Universidade de North­wes­tern, Estados Unidos.

Drogas em fase final de testes
Está cada vez mais perto a possibilidade de os pacien­tes com Crohn usarem novos me­di­ca­men­­tos­ que lhes permitam a remissão dos sin­to­­­mas­­ da­ doen­ça. Na reunião do Congresso Ameri­ca­no de Gastroenterologia rea­lizada em a­bril,­ em­ Honolulu (Havaí), a comunidade médica te­ve ó­­ti­mas notícias sobre a possibilidade de no­vos­ lançamentos farmacêuticos no mercado. Com­o a ABCD em Foco já havia adiantado, se mos­tra­­­ram­­ extremamente promissores os re­sul­ta­­dos da­­ fase III dos testes clínicos do A­da­li­mu­ma­be, cu­jo nome comercial é Humira, de­sen­vol­vi­do pelo Laboratório Abbot; e também do Cer­to­li­zu­mabe, que ganhou o nome ­comercial de Cim­­­zia,­ fabricado pela UCB Indústria Far­ma­cêu­­ti­ca. Tanto o Humira quanto o Cimzia, que são­ drogas anti-TNF hu­manizadas semelhantes ao­ Infliximabe (o Remicade), se mostra­ram bem e­ficientes na re­mis­­são­ dos sintomas. A outra no­vi­­dade ficou por conta de um outro estudo apre­sen­­­tado a respeito da Rifaximina, um antibiótico­ de­­ uso oral que con­trola crises de dia­rréia e é fa­­bricado pela Salix Farmacêutica. Falta po­u­co­...!!­­

Quando a cirurgia é a melhor saída
Uma das complicações que pode surgir quando a co­li­te ul­cerativa ou a doença de Crohn acometem crian­ças­ é o re­tardo do crescimento. “Isso ocorre em 15 a 40%­ dos ca­sos, sendo duas vezes mais freqüente nos pa­cientes com doença de Crohn”, informa a co­lo­pro­c­to­­­logista Magaly Gemio, supervisora do Serviço de Ci­rur­­­gia do Colo e Reto do­ Departamento de Gas­troen­te­ro­­logia do Hospital das Clí­nicas da Faculdade de Medi­ci­na­ da Universidade de São Paulo. “Esta complicação é extremamente grave se não­ for corrigida a tempo, ou seja, na fase da pré-pu­ber­­da­de.”­ A médica explica que, pas­sada essa fase, o pa­cien­­te­ perde a capacidade de recu­pe­rar a estatura esperada­ e daí passa a conviver não so­­men­te com a evolução da doen­ça como também com even­­tuais problemas psico­ló­­gi­cos­ decorrentes da sua baixa estatura. “O retardo do cres­cimento se deve à a­ti­vi­­dade da doença em conse­qüência­ da desnutrição e má­ absorção. Além disso, o pro­cesso inflamatório supri­me­ um fator de crescimento insuli­na-símile”, diz a Dra. Magaly.
Na verdade, este é um caminho de duas mãos. Ao mes­mo tempo em que o tratamento para bloquear esse pro­cesso inflamatório propõe a prescrição de cor­ticóides, estes medicamentos têm, entre seus efeitos co­la­terais, a inibição do crescimento. Para evitar o uso pro­longado dos corticóides os médicos até já estão suge­rin­do a utilização de imunossupressores, mas ainda não se tem con­firmação de que este tratamento possa evitar o retar­do de crescimento. A melhor solução nesses casos­ po­de ser a cirurgia, principalmente nos casos de segmen­to­ pe­queno afetado. “A ressecção cirúrgica do segmento­ in­­testinal doente reduz a diarréia, melhora a absorção, res­­tabelece o apetite e promove o retorno do doente ao es­tado anabólico, permitindo que o crescimento volte à­ sua velocidade normal”, explica a Dra. Magaly. O pro­­blema são os pais do doente. “Infelizmente, em geral­ a­ família tem medo e reluta em aceitar a indicação cirúr­gi­ca. O resultado é que na tentativa de beneficiar o pa­cien­­te, acaba prejudicando-o”, lamenta a médica.
Em tempo: agora há pouco, no fim de maio de 2006, o FDA aprovou o uso do Remicade em pediatria.­ Uma nova alternativa em vista!

Novidades sobre a síndrome do intestino curto

Os pacientes com síndrome do intestino curto (SIC) não foram esquecidos nos estudos mais recen­tes em busca de novas drogas para tratamento. É o caso do Zorbtive, que já foi aprovado pelo FDA e está na Fase III dos testes clínicos. Esse medicamento seria indi­cado para pacientes dependentes de alimentação paren­­teral por um longo tempo para repor vitaminas, nu­trien­tes e água no seu organismo. Segundo os estudos do Laboratório Sero­no, a empresa fabricante, os pa­cientes que usaram o Zorbtive tiveram uma redução importante no número de infusões semanais de alimentação parenteral: caiu de 5 a 6 vezes por semana para 1 ou 2 vezes no mesmo pe­ríodo. “Os resultados são con­­troversos”, alert­a o Dr. Dan Waizberg, presidente do Ganep, Gru­po de Apoio de Alimentação Enteral e Pa­renteral. “O Zorbtive é um hor­mônio de ­crescimento recom­bi­nan­te (cria­do pela ­enge­nharia genética para substituir o hor­mônio ­natural) e há anos se discute a efi­ciência do seu uso isolado ou em combinação com a ­glu­ta­mi­na em pacientes com sín­drome do intestino curto e nu­tri­ção parenteral prolongada” (veja artigo na pág. 18). Segundo o Dr. Dan Waiz­berg, enquanto um grupo de pesquisadores americanos mostra as vantagens deste hormônio de crescimen­to, outro grupo de ­profissionais dinamarqueses aponta os inconvenientes do seu uso.