Quais são e como tratar as manifestações oculares do Crohn e da colite ulcerativa

Os doentes de Crohn e de colite ulcerativa que são bem informados sabem que eventualmente poderão ter manifestações de sintomas em outras partes do corpo além do intestino. São as chamadas manifestações extra-intestinais da DII (Doença Inflamatória Intestinal). Há, basicamente, quatro tipos de manifestações extra-intestinais: as articulares, que comprometem joelhos e tornozelos ou outras juntas; as dermatológicas, que provocam nódulos vermelhos ou feridas na pele; as hepáticas, que causam febre com calafrios ou icterícia; e as oculares, que, na maior parte das vezes, não têm gravidade, mas incomodam. Imagine ficar com vermelhidão no olho, como se fosse uma conjuntivite, vista embaçada e, pior ainda, com dor a cada movimento do globo ocular...
“Entre 2% e 10% dos pacientes com doenças inflamatórias intestinais têm essas manifestações oculares”, diz o oftalmologista Walter Takahashi, chefe do serviço de retina do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que também atende no Hospital Israelita Albert Einstein. “A mais conhecida dessas manifestações é a uveíte, que é uma inflamação da parte anterior do globo ocular”, diz o médico. Outras manifestações oculares que também podem ocorrer são a episclerite, uma inflamação no tecido que cobre a esclera (a parte branca do olho), a cerotopatia, que é uma alteração da córnea e o chamado dry eyes (olho seco), ou a conhecida falta de lágrima. “De maneira geral, os pacientes já estão cientes dessas manifestações, mas na hora da consulta sempre se pergunta sobre a sua saúde e se ele tem alguma doença inflamatória intestinal”, diz o Dr. Takahashi. Segundo o médico, os tratamentos para esses casos são bem tranqüilos. Depois de usar colírios antiinflamatórios ou de cortisona por duas a quatro semanas, o paciente já está recuperado. No entanto, há alguns casos, raros, por sorte, em que é necessário tomar injeções de cortisona diretamente na retina do olho.
Foi o que precisou fazer Flávia Marino, uma profissional de marketing que, há seis anos, descobriu ser portadora da doença de Crohn. As crises da doença, com dores e diarréias, ela conseguiu debelar. Mas a uveíte que lhe apareceu acabou virando uma novela, com um novo capítulo a cada pouco. “De repente uma vermelhidão tomou conta dos meus olhos. Ao consultar um oftalmologista descobri que se tratava de uma uveíte, a doença nos olhos provocada pelo Crohn”, conta Flávia, que está afastada do seu trabalho na área de eventos. Ela chegou a tomar várias injeções de cortisona nos olhos, o que acabou provocando um inchaço na retina. “Além disso, em julho de 2005 tive que operar uma catarata que acabou se formando no olho direito. Tudo devido ao Crohn”, diz Flávia. E o pior: ela já sabe que o outro olho também está com catarata. “Na fase aguda dos sintomas parecia que o meu olho ia cair, e nada do que eu tomasse para o intestino ajudava a resolver esse problema”, lembra a moça.
A boa notícia para os pacientes da doença de Crohn e da colite ulcerativa é que apenas poucos vão ter manifestações extra-intestinais e menos ainda oculares. Mas, pelo sim pelo não, é bom fazer uma consulta rotineira com o oftalmologista, se possível a cada seis meses, para avaliar a retina. Para os pacientes na faixa etária dos 45 aos 50 anos é imprescindível que essa consulta seja anual. “As inflamações crônicas, e não somente as inflamatórias intestinais, podem provocar catarata e os colírios de cortisona, além da catarata, podem ocasionar um glaucoma”, alerta o Dr. Walter Takahashi. O negócio, portanto, é ficar de olho!!