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Medicamentos
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Alívio quase imediato
Como o Remicade ajuda na manutenção da doença de Crohn
Desde o seu lançamento no mercado, em 1998, o Remicade, um anticorpo monoclonal que atua diretamente no bloqueio da substância chave no processo inflamatório da doença de Crohn, a citocina, vem demonstrando ser um farol a iluminar os caminhos de quem tem esta doença inflamatória intestinal. Exceto por raras exceções, este medicamento tem melhorado, e muito, a qualidade de vida de grande parte dos pacientes, proporcionando-lhes alívio dos sintomas por um tempo maior do que se não o tomassem. O nome do seu princípio ativo é Infliximabe.
Atualmente o Remicade está aprovado em 72 países e estima-se que, em todo o mundo, cerca de 630 mil pacientes já tenham experimentado essa droga. Além de ser um santo remédio para doença de Crohn, o Remicade pode ser indicado para artrite reumatóide, espondilite anquilosante, psoríase e artrite psoriática. No final do ano passado a comunidade médica recebeu com alegria a notícia de que o Infliximabe foi também aprovado para tratar a colite ulcerativa. A Santa Casa de São Paulo é um dos hospitais que recebem o Infliximabe via SUS para tratar, gratuitamente, de pacientes de Crohn e agora espera um novo lote para pacientes com colite ulcerativa. “O Remicade é indicado para pacientes de Crohn com fístulas que não respondam ao tratamento com corticóides nem com imunossupressores ou que tenham efeitos colaterais graves”, explica a Dra. Andrea Vieira, médica assistente da clínica de Gastroenterologia do Departamento de Medicina da Santa Casa de São Paulo, que começou a prescrever Remicade no começo de 2004. O procedimento de aplicação inclui uma dose de ataque na semana zero (quando é a primeira vez do paciente), outra aplicação depois de duas semanas e a terceira, depois de seis semanas da inicial. Se o paciente tiver uma boa resposta, ele faz uma manutenção com Remicade a cada 8 semanas. Cada aplicação demora, em média, 3 horas.
“Nota-se uma melhora importante dos pacientes, principalmente naqueles que têm fístulas simples. Quando os pacientes têm fístulas complexas ou já foram operados também existe uma resposta boa, mas, nestes casos, os sintomas da doença voltam a aparecer quando está chegando à data da aplicação seguinte. Às vezes, até antes” diz a médica, acrescentando que todos os pacientes costumam usar o Remicade associado a outros medicamentos. Embora tenha, em geral, boa receptividade, este me-dicamento não é a cura prometida da doença de Crohn, como alguns médicos chegaram a pensar que seria.
O Departamento de Gastroclínica Pediátrica da Universidade de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, que também atende os pacientes gratuitamente, adota o mesmo procedimento. A Dra. Vera Sdepanian, que é professora adjunta desta disciplina explica que a aplicação nas crianças e adolescentes também é feita na semana 0, na semana 2, e na semana 6, e todos fazem uso de imunossupressores como Imuran ou Mercaptopurina-6. “Nos últimos dois anos houve uma prevalência dos casos de doenças inflamatórias intestinais em crianças e adolescentes, e tivemos 30 novos casos neste período. Dos 105 pacientes que atendemos atualmente, 40% deles são casos de Crohn e 60%, de colite ulcerativa”, informa a Dra. Vera. “De modo geral, são pacientes com quadros muito graves e a maioria deles têm uma boa resposta com o Remicade”, diz a médica.
A jornalista Maria Amalia Bernardi já usou Remicade mais de trinta vezes desde que fez sua primeira aplicação, em 1998. Na verdade, ela foi um dos primeiros pacientes com Crohn no mundo a fazer uso deste medicamento e, desde então, não parou mais. “Já na primeira vez eu fiquei ótima - parecia que os sintomas tinham sido tirados com a mão. E de lá para cá, salvo algumas exceções, tem sido sempre assim – três dias depois que faço uma aplicação não sinto mais nada”, conta ela, que costuma fazer de 4 a 5 aplicações por ano. “Nunca tive um único efeito colateral. Depois do lançamento desse remédio minha vida ficou muuuito melhor”.
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