Minha História

Aprendizado com louvor

O Crohn não atrapalhou a vida de Bruno, que está cursando a terceira faculdade

A história de Bruno Jackson Severino com a doença de Crohn iniciou quando ele tinha 17 anos, embora os sintomas como diarréia, cólicas constantes e emagrecimento exagerado tenham aparecido quando ele ainda estava com 15 anos. Seus pais ficaram desesperados com este diagnóstico, pois nunca tinham ouvido falar nesta doença. A situação ficou pior ainda quando eles souberam que o Crohn não tem cura. O rapaz, que mora em Florianópolis, Santa Catarina, lembra que passou ­grande parte da sua juventude freqüentando consultórios e até chegou a ficar internado. “Foi em 2004 que passei pelo pior momento da minha vida: fiquei internado durante 20 dias e fui submetido a uma cirurgia em que foram retirados aproximadamente 15 cm do meu intestino e emagreci 15 quilos (tenho 1,78m de altura e meu peso de 68 kg foi para 53 kg)”, conta o rapaz.

Desta fase, ele só gosta de falar do apoio que teve dos pais, da irmã e de Karoline, uma menina muito especial que ele tinha começado a namorar e que lhe deu bastante força. Até hoje estão juntos e Bruno ­costuma dizer que “o Crohn se tornou o nosso cupido e nos uniu”, brinca. Após a cirurgia, ainda passou por ­alguns momentos desagradáveis, com muitas diarréias. Mas com o passar do tempo isso foi mudando e hoje ele já consegue controlar suas idas ao banheiro.

O que ele gosta mesmo de ressaltar é que o Crohn não atrapalhou em nada os seus estudos. Ele nunca passou períodos longos sem ir à escola e sempre conseguiu contornar os seus mal-estares. Bruno e, claro, toda a sua família, se mostram extremamente orgulhosos quando se referem aos seus estudos. Não é para menos. Para começar, Bruno fez duas faculdades ao mesmo tempo, a de Geografia e a de Hotelaria e Turismo. Uma de manhã e outra à noite. “Durante esse período, tive algumas ­crises e também troquei de médico, o qual hoje, além de ter se tornado um grande amigo, me ajudou a conhecer a doença”, diz Bruno. A falta de informação sobre a doença, aliás, é do que ele mais se ressente. “Tudo fica mais fácil quando você tem as informações para aprender a lidar com o Crohn e com o passar do tempo comecei a com­preender melhor e aceitar, de certa forma, as transfor­mações que estavam acontecendo na minha vida. Sei que o Crohn irá me acompanhar para sempre, ou pelo menos por um bom tempo”, diz o rapaz.

Hoje, a doença está controlada e Bruno utiliza dois me­dicamentos, o Remicade, que toma a cada dois ­meses, e o Imuran, que ingere diariamente. Atualmente ele também é professor de Geografia das redes municipal e estadual e dá suas aulas durante o dia. À noite, tem um outro compromisso escolar: está fazendo a sua terceira faculdade, desta vez de Direito. Bruno, que também já concluiu a pós-graduação em Psicopedagogia, gosta de fazer musculação e, aos sábados, jogar futebol. Este, aliás, é um assunto que ele tem muito prazer. Além de ser torcedor do Avaí, um dos mais conhecidos times de Flo­rianópolis, está fazendo um curso para árbitro de fu­tebol que tem duração de seis meses. “Tenho uma vida agitada e o Crohn não me impede de fazer absolu­ta­mente nada. Jamais deixei que a doença me impedisse de correr atrás dos meus sonhos. O importante é você saber dominar a doença e não deixar que ela domine você”, afirma categoricamente. Ah, Bruno ainda encontra tempo para ir à missa aos domingos.