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Vida nova, literalmente
Ela já passou por maus bocados com o Crohn, mas agora espera seu primeiro filho
Ela é miudinha (tem 1,58 e pesa 51 quilos), delicada para falar e se mostra extremamente frágil - até para contar sua história como paciente da doença de Crohn chega a ficar com a voz embargada. Mas que os médicos não se enganem: Janeclei Aparecida Rovazio, 27 anos completados em novembro deste ano, mostra muita coragem para enfrentar sua doença. Tanto é que mesmo depois de ter passado por todos aqueles momentos de aflição e de tensão típicos de todo “Crohnista” em princípio de doença, ela agora está disposta a enfrentar com bravura a gravidez do seu primeiro filho, do qual está no quarto mês de gestação. Segundo diz, é sua força espiritual que lhe traz confiança para acreditar que tudo irá dar certo nos próximos meses. “Só quero que meu bebê venha com saúde”, diz Janeclei.
Como seu marido Edson, ela ficou bastante surpresa com esta gravidez. “Vamos completar 3 anos de casados em janeiro de 2006 e eu praticamente estou saindo de uma grande crise da doença que me obrigou a ficar 1,8 meses afastada do trabalho”, conta Janeclei, que mora na cidade de Cianorte, a cerca de 500 km de Curitiba, no Paraná. “Em função disso, nós ainda não tivemos muito tempo para aproveitar o casamento de forma mais relaxada.” Janeclei e seu marido namoraram mais de oito anos, mas ela só soube do Crohn poucos meses antes de se casar. Foi quando, aliás, começaram os problemas. Ela descobriu que tinha doença de Crohn em setembro de 2002, depois que fez exames para diagnosticar a razão de uma febre constante e de dores que sentia no abdome. Assim que soube do resultado, começou a tomar Azatioprina, mas oito meses depois teve uma nova crise, apresentando febre alta e uma fístula interna. Demorou, no entanto, a perceber que seu intestino havia sido perfurado, o que provocou um depósito de fezes num lugar impróprio do seu corpo. Conclusão: durante um ano teve que usar uma sonda acoplada à sua barriga para drenar a região onde estavam as fezes e limpá-la, injetando soro. Este curativo tinha que ser feito, ou trocado, duas vezes por dia. “Eram meu marido e minha mãe que me ajudavam com isso”, diz, revelando certo constrangimento.
O que também não lhe facilitou muito a vida foi que, durante 10 meses, só pode se alimentar de líquidos. “O médico dizia que uma alimentação sólida iria forçar o intestino. Tomei então, muito caldo de sopa e muito Modulen”, conta Janeclei. “Nessa época, eu cheguei a pesar 45 kg, 12 kg menos que meu peso normal”, lembra. Em fevereiro de 2004, seu médico lhe indicou o tratamento com Remicade, que ela só pode fazer porque conseguiu este medicamento com os médicos da Regional de Saúde de Cianorte. “O remédio é muito caro e eu não posso pagar”, diz. Ela tomou três doses de 2 ampolas cada de Remicade, mas, em dezembro de 2004, não houve outro jeito: teve que passar por uma cirurgia que lhe tirou 13cm do intestino. Atualmente, ela toma somente ácido fólico para evitar um quadro de anemia na gravidez. Por essa razão também, ela parou de tomar o Mesacol. Mensalmente, ela vai para Maringá para se consultar com seu médico e ter sua gravidez acompanhada de perto. “Por sorte vai tudo muito bem. Melhorei mais do que 100% e até o enjôo já passou”, diz Janeclei, feliz. “Nos momentos mais difíceis, eu tive uma corrente de orações de amigos e familiares e foi só a força de Deus que me ajudou a passar pelo que passei”, diz. A sorte de Janeclei realmente já voltou: em março deste ano ela conseguiu de volta seu emprego de nove anos numa livraria da cidade, do qual tinha se afastado por um ano e oito meses.
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