Coluna do cólon


Bom uso da maconha



Médicos da Universidade de Bath, na Inglaterra, descobriram que existe no cérebro um receptor para a maconha, a erva do Diabo, como já foi chamada, que pode aliviar os sintomas das doenças inflamatórias intes­ti­nais. Explicando melhor, o próprio corpo hu­mano produz substâncias ou proteínas chamadas de receptor que reagem bem à maconha. É o receptor que exis­te no cérebro e o CB2 que tem a ver com os órgãos ­periféricos do corpo humano, incluindo o intestino. “No século XIX, a maconha foi um dos remé­dios mais valiosos. Caiu em desu­so no século seguinte, mas desde a década de 60/70 seus princí­pios estão sendo novamente valorizados”, afirma o Dr. Elisaldo Luis de Araú­jo Carlini, professor ­titular da Unidade de Psicofar­ma­co­lo­gia da Universidade Federal de São Paulo e um estudioso dos efeitos colaterais que a maconha provoca no sistema nervoso central. Para o Dr. Carline, se esses receptores existem, eles têm que ter uma função. Da ­mesma forma que se eles estão em de­se­qui­lí­brio, pode ser sinal de uma doença. O médico ­acredita que o estudo dos seus colegas ingleses precisa ser repetido para confirmar o seu resultado. “Acho que a maco­nha é sim um caminho para tratamento, assim como ela já faz parte do tratamento da náusea causada pela qui­mioterapia do câncer e para as dores da esclerose múl­tipla”, diz o Dr. Carlini.

O impacto das etnias na DII

Estudo publicado no American Journal of Gas­troen­te­rology (edição de outubro de 2005), realizado na Universidade do Texas, mostrou as diferenças nas doen­ças inflamatórias intestinais quanto à etnia dos ­pacientes. Envolveu 148 portadores que foram avaliados de ­junho de 1999 a novembro de 2003, sendo 40% deles brancos, 37% afro-americanos, 20% latinos, originários do Mé­xico, e 3% asiáticos. A doença de Crohn predominava nos brancos e negros, enquanto a colite ulcerativa in­cidia mais nos latinos. “A imunologia tem características diferentes quanto aos indivíduos de etnias diferentes”, diz o Dr. Mário Geller, Presidente do Capítulo Brasileiro do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imu­no­logia, Setor de Comunicações. “E a etnia poderia in­fluenciar no prognóstico da doença de Crohn e da co­lite ulcerativa”, completa o médico.