Imagem Nítida

Porque a ressonância magnética
facilita o tratamento de
fístulas perianais

O trocadilho é tão inevitável quanto verdadeiro: há determinados sintomas de doenças que acabam com a paciência dos pacientes. É o caso das fístulas perianais. Fístulas são comunicações anormais entre estruturas do corpo, e podem ocorrer eventualmente em alguns casos de Doença de Crohn. As mais comuns nesta doença são as fístulas perianais que se exteriorizam numa região próxima ao ânus, provocando saída de secreção no local. Em 2000, os médicos do Departamento de Radiologia e Cirurgia do Hospital Universitário St. James’s, na Irlanda, apresentaram um trabalho sobre o exame de ressonância magnética que pode ser indicado para classificação das fístulas. O que isso quer dizer? “A maioria das fístulas perianais pode ter sua origem e trajeto determinados por um exame clínico e o tratamento indicado pelo médico. Em alguns casos, entretanto, as fístulas são complexas, podem ter trajetos complicados e estar acompanhadas por abscessos”, explica o Dr. Manoel de Souza Rocha, médico radiologista do Departamento de Imagem do Hospital Israelita Albert Einstein. “Quando há suspeita de que a fístula é complexa, pode-se usar métodos de imagem, como a ressonância magnética, para sua classificação.” O trabalho dos médicos do Hospital St. James acelerou o tratamento das fístulas perianais mais complexas, porque antes da ressonância, a classificação das fístulas era resultado de uma exploração cirúrgica. “Agora elas já podem ser identificadas no pré-operatório, o que facilita o planejamento do tratamento”, diz o Dr. Manoel Rocha.

Na verdade, o exame de ressonância magnética permite que os médicos tratem das fístulas com mais segurança. Numa analogia muito simplista, pode-se relacionar a fístula a um buraco que é preciso fazer numa parede já se sabendo, de antemão, onde estão os fios da rede elétrica ou os canos da rede hidráulica ou seja, não haverá estragos. Com as fístulas pode-se dizer que também é assim: o médico tem que tratar de um “falso” túnel que foi aberto para o lado errado e criou uma falsa e indesejada comunicação. No caso das fístulas perianais, o resultado é a saída de uma secreção por um lugar que não é o ânus. “Para tratar deste túnel através de procedimento cirúrgico corre-se o risco de danificar estruturas que envolvem o esfíncter interno e externo. “Isso quer dizer que se houver algum problema no procedimento, o paciente pode ficar com incontinência”, explica o Dr. Jacob Szejnfeld, professor livre docente e chefe do Departamento por Imagem da Unifesp, Universidade Federal de São Paulo, e diretor do laboratório Cura – Centro de Ultrassonografia e Radiografia, que faz este procedimento.

Este exame de ressonância magnética já é feito no Brasil e leva, em geral, 30 minutos. Antes dele, os médicos tinham a opção de fazer radiografias, que exigiam que o paciente tomasse contrastes para a sua realização. “Com as radiografias, era possível ver se o túnel era grande, pequeno, curto ou longo, mas não se via os músculos e as estruturas envolvidas”, diz o Dr. Szejnfeld. “Por dispensar o contraste, o exame de ressonância magnética mostra o tamanho e o trajeto da fístula e indica se ela está perfurando o esfíncter. Exatamente por isso ele é mais seguro quando se trata de fístulas complexas.”

De acordo com o Dr. Manoel Rocha, há outros exames que podem substituir a ressonância magnética são a ultrasonografia endorretal (USE) e a tomografia computadorizada (TC). Mas há algumas restrições: a ultrassonografia fornece um campo de visão mais restrito do que a ressonância magnética e ainda por cima pode ser dolorosa no caso das fístulas. Quanto à tomografia computadorizada, ela permite a identificação do trajeto da fistula e de eventuais abscessos, po­rém não proporciona a mesma resolução dos tecidos dada pela res­sonância. Sendo assim, bem-vinda ressonância magnética!!