Minha História

O Diagnóstico a surpreendeu

Como a goiana Liliana descobriu a retocolite inespecífica

Com seus 1,85m de altura e 61 quilos, Liliana Duarte Ferro, 21 anos, já foi convidada para seguir a carreira de modelo. Isso, no entanto, nunca a interessou. O que esta jovem de Goiânia gosta mesmo de fazer é cursar a Faculdade de Engenharia de Produção na Universidade Católica de Goiás, onde está no 4º ano. Liliana prefere uma vida mais caseira, quase sempre às voltas com os estudos. Mas que ninguém se engane com essa tranqüilidade aparente. Liliana se estressa com facilidade. “Gosto que as coisas aconteçam do meu jeito e na minha hora”, diz a jovem. Só que nem tudo na sua vida pode ser realmente assim: há 3 anos ela convive com os sintomas da retocolite inespecífica, uma doença crônica que não tem cura e que exige muita paciência de seus portadores. “Vou tomar medicamentos pelo resto da minha vida ou até que descubram a cura para essa doença”, diz ela, com uma certa impaciência. Não querer falar de um assunto e ficar digerindo sozinho seu próprio pensamento é um comportamento normal entre os jovens. Nem mesmo com seus pais, que fazem o que podem para acarinhá-la, Liliana não gosta de conversar sobre a doença. Um pouco porque ela quer poupá-los e um pouco porque quer se preservar mesmo. É com Glauber, 22 anos, seu namorado há quatro, que ela se vê mais à vontade para conversar, o que também é compreensível. “Ele faz questão
de acompanhar tudo o que acontece comigo”, diz ela. “É muito bom poder dividir as minhas preocupações com ele.”
Para manutenção de seu quadro clínico, Liliana toma todos os dias dois comprimidos de Imuran, mais dois de
Pantozol. Só que esse tratamento não a impede de ter algumas surpresas de vez em quando, como no começo do ano novo, em 2005, quando ela passou alguns dias com muita diarréia. Seu médico, que é de São Paulo, conseguiu resolver a situação por telefone (ela já foi internada duas vezes devido a esse problema e a dores fortes no abdome). No Carnaval,
outra chateação: precisou usar uma medicação tópica (solução líquida) para aliviar o desconforto de três dias com o intestino preso. Por mais desagradáveis que os sintomas sejam ou tenham sido para Liliana, ela tem que “levantar as mãos para o céu”, como muita gente diz. É que, desde que apareceram os primeiros sintomas da doença, tudo vem sendo controlado rapidamente. Ela teve dor no abdome e diarréia pela primeira vez, mais insistentemente, em março de 2002, quando estava fazendo um intercâmbio estudantil na Finlândia, ou seja, bem longe de casa. Lá, se virou como pode, mas logo que voltou para o Brasil, quatro meses depois, procurou um médico porque se sentia muito fraca. Foi confirmada uma anemia, que tratou tomando remédio à base de ferro. No começo de 2004, ela teve de novo uma forte crise de dor e de diarréia e foi a um gastroenterologista, que lhe pediu uma colonoscopia. Resultado: retocolite inespecífica. “Eu nunca tinha ouvido falar dessa doença e o médico disse logo que ela não tinha cura. Aí eu desabei”, conta a jovem, que passou a tomar cortisona. Passou oito meses com essa medicação e acabou inchando. “Perdi todas as minhas roupas”, diz Liliana.
Mas essa fase ficou só na lembrança, pois da retocolite ela vai muito bem, obrigada. Sua grande preocupação hoje é conseguir um estágio para iniciar a carreira profissional.