Coluna do cólon

Perigo!! Perigo!!

Os pacientes com colite ulcerativa não podem combinar no cardápio carne vermelha e bebida alcoólica, sob pena de aumentar suas chances de uma nova crise da doença. Pelo menos foi isso que mostrou uma notícia veiculada na revista Gut, na edição de outubro do ano passado. Baseada numa pesquisa feita por médicos da Universidade de Newcastle, no norte da Grã Bretanha, a nota se refere a um estudo feito com 183 homens e mulheres com essa doença inflamatória intestinal. Os médicos notaram que aqueles que ingeriram 100 gramas de carne por dia passaram a ter três vezes mais risco de entrar em crise do que aqueles que ingeriram a metade dessa quantidade ou menos ainda, por dia. Os pesquisadores encontraram também um dado que pode abalar o tradicional programa de churrasco entre amigos: os pacientes que combinavam carne vermelha com álcool ficaram três vezes mais expostos a ter crises. Isso porque o enxofre é muito encontrado nos alimentos que têm proteína, como a carne vermelha, enquanto que o sulfato é encontrado em bebidas alcoólicas. Daí pode-se prever que a combinação dos dois carne vermelha e álcool é um desastre. Vai querer encarar?

Já ouviu falar em leucocitaférese?

Da mesma forma que são realizados estudos e testes clínicos para o desenvolvimento de novos medicamentos, também são testadas novas terapias que possam trazer melhores resultados para os pacientes. Saiu uma notícia no boletim da Federação Européia de Crohn e Colite Ulcerativa de setembro do ano passado sobre uma nova terapia para tratamento de colite ulcerativa que chamou a atenção da comunidade médica por fugir completamente do convencional. Trata-se da leucocitaférese separação dos leucócitos, os responsáveis pelo processo inflamatório da doença. O procedimento é relativamente simples e dura cerca de 3 horas: o paciente fica acoplado à uma máquina que possui um filtro que separa os leucócitos do seu sangue, segura-os e devolve o restante para o organismo. O “acoplado, no caso”, significa ficar deita­do, com uma agulha em cada braço enquanto o sangue é retirado por um dos braços, entra na máquina, é processado e, em seguida, devolvido para o corpo pelo outro braço.

“É muito cedo para afirmar categoricamente que este procedimento traz melhoras no quadro dos pacientes com este diagnóstico”, diz a Dra. Araci Sakashita, hematologista e hemoterapeuta do Hospital Israelita Albert Einstein, referindo-se ao fato de que esses estudos ainda estão sendo usados em caráter experimental. “Esta terapia não é a primeira opção para tratamento, mas talvez ela possa ser útil em alguns casos específicos de colite ulcerativa, como aqueles em que os pacientes não respondem ao tratamento convencional ou que, apesar de estarem sendo medicados, ainda apresentam manifestações da doença”, diz a hematologista. Agora a notícia ruim: a maioria dos bancos de sangue no Brasil já dispõe dessa máquina, só que os filtros custam caro, o que torna mais difícil a utilização do procedimento em grande escala.