A boa comida - dicas

Como os pacientes de DII podem
ingerir vitaminas e minerais

É como discutir futebol no país que é pentacampeão do mundo: dificilmente alguém resiste a dar um palpite sobre o assunto. Para falar de comida, pode-se dizer que acontece a mesma coisa: toda hora é hora para conversar sobre cardápios apetitosos e quitutes de dar água na boca só de ouvir a receita. Com os pacientes de doenças inflamatórias intestinais não é diferente. Apesar das dificuldades nutricionais que podem ocorrer, eles também gostam, com toda a certeza, de ter uma alimentação que lhes dê muito prazer. Tem que ser balanceada é verdade. E também mais adequada a seu caso. Mas, sobretudo, ela tem que ser, como uma preferência nacional, muuuuuito gostosa. Mas será que depois desses cui­dados, os pacientes prestam atenção na quantidade de vitaminas e minerais que consomem por dia, e que ajudam a evitar outros problemas?

“A dieta na Doença de Crohn e Colite Ulcerativa deve ter alto teor protéico calórico porque os pacientes dessas doenças freqüentemente necessitam repor os depósitos corporais, o que quer dizer, proteínas, calorias, nutrientes e minerais, justamente para evitar anemia e perda de massa muscular”, explica a Dra. Valéria Abrahão, médica gastroenterologista e nutróloga, presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral, do capítulo do Rio de Janeiro.

Nas doenças inflamatórias intestinais também se observa redução do apetite que, associada à diarréia, leva à diminuição da absorção pelo corpo de fluidos, minerais e vitaminas. Pode haver até anormalidades dos sais do organismo, como potássio e cálcio, o que provoca fraqueza muscular e enfraquecimento dos ossos. “A conduta dietoterapêutica para portadores de DII deve ser individualizada, pois cada paciente necessita de cuidados específicos que variam de acordo com seu estado clínico”, diz a Dra. Valéria. Isso também vale para os medicamentos indicados para essas doenças, que estabelecem forte interação com os nutrientes essenciais para o organismo. “O glicocorticóide, por exemplo, diminui a absorção dos minerais cálcio e Fósforo e das vitaminas B6, C e D, enquanto que a sulfassalazina inibe a absorção de ácido fólico”, informa a médica. “Em alguns casos, o poder de absorção de alguns nutrientes pode ficar prejudicado, mas eles têm que ser repostos com maior vigilância”, diz a Dra. Valéria. Isto mostra a necessidade de pelo menos a cada três meses o paciente fazer exames de sangue para confirmar o equilíbrio nutricional do seu corpo.

A coordenadora da equipe de multiprofissionais de terapia nu­tricional do Hospital Israelita Albert Einstein, Roselaine Maria Coelho Oliveira, também concorda que muitos pacientes não conseguem suprir suas necessidades nutricionais, inclusive de vitaminas, através da alimentação. “Nesses casos, recomenda-se administrar complexos multivitamínicos com acompanhamento do médico ou da nutricionista”, diz Roselaine. As vitaminas são compostos orgânicos que estão presentes, naturalmente, nos alimentos (veja quadro à página 18), exercendo funções essenciais para manutenção do metabolismo normal e desempenhando funções fisiologias específicas. “A administração oral de suplementos nutricionais industrializados está indicada quando o paciente é incapaz de ingerir os nutrientes através da dieta oral. Mas com uma alimentação variada com carne, leite, frutas e ovos, ele não vai precisar de suplementação”, diz a médica que chama a atenção para o fato de que as recomendações nutricionais são elaboradas para prevenir deficiências e ga­rantir o desenvolvimento necessário. “Com este trabalho se sustenta adequadamente a saúde e o bom estado nutricional do paciente, sem qualquer efeito adver­so”, diz ela.