O Crohn, a Colite e a gravidez

As doenças inflamatórias intestinais são chatas
e trabalhosas - mas não são empecilhos para
as mulheres realizarem o sonho de ser mãe

» Por Valquíria Sganzerla

Com o ritmo frenético de vida que as pessoas levam atualmente – todo mundo e não só quem tem problemas de saúde ou dificuldades financeiras -, é difícil dar uma opinião quando o assunto é “ter ou não ter” filhos.

Quase sempre os casais “embaçam”, adiam e contam até 10 antes de tomar uma decisão sobre isso. E muitas vezes, o filho acaba chegando “meio que no susto”. O que dizer das mulheres que têm doenças crônicas e que, além de se preocupar com a hereditariedade do seu diagnóstico (quando ela existe), ainda têm que ficar rezando para ter somente os enjôos corriqueiros nesse período? Para mulheres portadoras de doenças inflamatórias intestinais isso quer dizer passar nove meses longe das crises de diarréia intensa, dores no abdome e emagrecimento exagerado, provocando anemia e desnutrição. O controle de natalidade também é indicado para pacientes com esse perfil? Será que um resultado médico de Colite Ulcerativa ou de doença de Crohn é definitivo para a paciente saber que ela nunca poderá ter uma gravidez tranqüila, como geralmente ocorre com as outras mulheres que não têm doença nenhuma? Ou ela pode engravidar, mas sob o risco de piorar o seu quadro da doença? “Muitas mulheres têm dúvidas a respeito da sua saúde reprodutiva e necessitam de atenção especial antes e durante a gestação”, diz a Dra. Sunanda Kane, professora assistente da Universidade de Chicago e uma das maiores autoridades do mundo em pacientes com DII, sobretudo dos cuidados que se deve ter com as pacientes grávidas (veja o artigo na pág. 8). “O conceito mais importante para se lembrar é que a doença ativa é o maior inimigo para a gravidez e os especialistas precisam trabalhar mais de perto com os obstetras a fim de garantir um melhor resultado para a mãe e a criança”, completa a médica.

Concorda com a especialista americana o Dr. Luiz Roberto Zitron, um ginecologista de São Paulo que, há mais de um ano, se subespecializou em doenças inflamatórias intestinais (seu filho adolescente manifestou a doença de Crohn) e tem feito o pré-natal e o parto de grávidas com esse diagnóstico. “Se a paciente puder conversar com seu médico e programar sua gravidez para um período em que ela esteja fora de crise, a tendência é passar meses tranqüilos com a doença estável. Em geral, as pacientes até melhoram do seu quadro clínico”, diz o Dr. Zitron, que tem seu consultório em São Paulo, e também atende no Hospital Israelita Albert Einstein. “Com o Crohn em atividade uma paciente pode ter mais dificuldade para engravidar, enquanto que a retocolite não altera o quadro fértil das pacientes”, ressalta o ginecologista e obstetra.

A paciente que quer engravidar ou a que já chega grávida no consultório, precisa estabelecer um “link” direto com o seu médico não só para esclarecer todas as suas dúvidas sobre como enfrentar essa nova fase, como também para contar para o profissional tudo o que está ocorrendo com ela, além de, simplesmente, ver e sentir a sua barriga crescer. “Quanto mais a mulher grávida estiver em sintonia com seu médico, mais ela poderá ter um parto seguro, tranqüilo e sem nenhum risco. O lado emocional da paciente conta muito nessa fase, e ela precisa confiar no seu médico”, diz o Dr. Zitron. Na verdade, a relação ideal para esse período é como a de um triângulo amoroso (brincadeiras e comparações à parte), envolvendo a paciente, o obstetra e o médico que cuida da sua doença inflamatória intestinal, sendo que os dois profissionais, eles mais ainda, têm de estar perfeitamente sintonizados no acompanhamento da futura mamãe.

É claro que, como sempre se diz, cada caso é um caso, mas se podem enumerar algumas situações que são mais freqüentes nas mulheres que têm DII: as grávidas ganham pouco peso durante os nove meses, o bebê pode ter um nascimento prematuro e os obstetras costumam optar por uma cesárea. No caso dos partos prematuros, a experiência dos médicos mostra que isso se dá mais com as pacientes que têm Crohn. Por que? Ninguém sabe com certeza. Com relação à indicação de partos por cesárea, a explicação para isso é bastante convincente: as pacientes com DII às vezes têm problemas de hemorróidas, fístulas e abscessos e, portanto, seus médicos não querem que elas façam força, como é necessário no parto normal, evitando assim maiores danos.

Um motivo de aflição das pacientes é saber como elas vão lidar nesse período com os medicamentos a que diariamente estão acostumadas a usar para controlar eventuais crises das doenças. Sobretudo porque, de uns tempos para cá, os médicos se acostumaram a indicar tratamentos de manutenção que geralmente incluem remédios fortes como cortisona e imunossupressores. Os médicos sugerem parar com essa medicação? Como esses remédios afetam o bebê? “Não tem problema algum em ficar grávida e continuar utilizando corticóides e os derivados 5 ASA, como Sulfasalazina e Mesalazina. Somente os imunossupressores são, muitas vezes, suspensos devido à suspeita de que eles podem provocar má formação congênita nos bebês”, explica o Dr. Carlos Brunetti, coloproctologista que atende no Hospital Santa Virgínia, no Brás e também no Hospital Israelita Albert Einstein.

No capítulo de medicamentos, outro tópico muitíssimo importante diz respeito à amamentação. Novamente a mamãe portadora de DII quer saber se ela pode amamentar o seu bebê e continuar tomando os medicamentos que a ajudam a controlar sua doença. “Será que o meu leite pode de alguma forma prejudicar o bebê?”, ela se pergunta, ainda mais ansiosa. Os pediatras concordam que é possível combinar os remédios que são necessários para tratar das DII com a fase de aleitamento materno. “Só o imunossupressor é contra-indicado nos períodos de lactação porque provoca uma queda da imunidade tanto da mãe quanto do bebê”, diz o Dr. Jayme Murahovschi, professor titular da Faculdade de Medicina de Santos e Presidente do Centro de Lactação desta instituição. As drogas mais confiáveis para essa fase de amamentação são, de novo, a Sulfasalazina, a Mesalazina e os corticóides. “O ideal seria que as mães tomassem esses medicamentos logo após as mamadas. E se for preciso usar um medicamento mais forte por um curto período de tempo (cerca de dez dias), a amamentação deve ser suspensa. A mãe, porém, deve continuar a tirar o leite com bombinha para estimular a produção (jogando-o fora depois) e, assim, poder continuar amamentando o bebê quando parar de tomar o imunossupressor”, ensina o Dr. Murahovschi. Nessa fase de amamentação, recomenda-se que as pacientes tenham o acompanhamento do pediatra, como é de praxe, mas que continuem visitando ou, no mínimo, trocando informações ao telefone com o médico que cuida da sua doença inflamatória intestinal. No caso específico do Remicade, a literatura mundial ainda é extremamente pobre sobre os efeitos colaterais deste medicamento, tanto na gravidez como na fase de amamentação, porque ele é muito recente no mercado.

Para o leitor da ABCD em Foco ter mais informações a respeito de gravidez em pacientes com doenças inflamatórias intestinais, conversamos com algumas mulheres que têm este diagnóstico e já passaram pela fase do unhééé, unhééé, unhééé... ou estão ansiosas para ouvir esta melodia. Leia a seguir:
Lucianne Herman Korn, 27 anos, é uma arquiteta (ela trabalha num escritório importante em São Paulo), que está casada há 3,5 anos. Ela descobriu que é portadora da doença de Crohn há nove anos, mas isso nunca foi motivo para ela ter medo de engravidar. “Nunca pensei em não ter filhos”, conta Lucianne, cuja gravidez transcorreu como os livros mostram e os médicos orientam, ou seja, tudo muito “cor de rosa” e sem nenhum contratempo (talvez o único imprevisto, se é que podemos chamar assim, foi ela ter ido para a maternidade logo após dar esta entrevista e não ter tido tempo para mandar uma foto sua ainda grávida da Isabella, que nasceu no dia 19 de novembro). Querendo programar a sua gravidez, Lucianne procurou o seu obstetra para saber se, em virtude da doença que tem, poderia ter algum problema para engravidar. Com a resposta negativa que recebeu, ela se precaveu contra surpresas que seriam “fora de hora” durante os nove meses de gestação: tomou a vacina contra rubéola, contra hepatite e também uma injeção de ácido fólico, o complexo vitamínico muito indicado às mulheres grávidas para diminuir o risco de lesões no tubo neural do bebê. Do seu Entocort, no entanto, o remédio que lhe ajuda a evitar as crises de Crohn, ela seguiu a orientação do seu médico e não abriu mão. Ou seja, continuou tomando, diariamente, como sempre fazia. O Crohn, no entanto, se manifestou logo no início da gravidez, com uma leve crise de diarréia, que foi resolvida com uma injeção de cortisona. Depois disso, ela não teve mais nada e trabalhou até uma semana antes do parto. Lucianne engordou 6 kg e sua filha nasceu no Hospital Israelita Albert Einstein de cesárea com 39 semanas e pesando 2.115 kg. “Eu já esperava um parto antecipado, mas correu tudo muito bem”, conta Lucianne. “Quero ter, pelo menos, mais dois filhos”, diz animada.

Graziela Hernandes Lima de Oliveira, 29 anos, é casada e mora na cidade de Santa Cruz do Sul (a 145 km de Porto Alegre), no Rio Grande do Sul. Ela está no 6º mês da sua primeira gravidez e durante esse tempo todo não teve nenhuma crise da doença de Crohn. “Quando descobri a doença em 2001, eu praticamente tinha crises de diarréia todo mês. Elas foram sendo espaçadas depois que eu passei a tomar diariamente Mesalazina e Azalit”, conta Graziela, que continua tomando esses medicamentos e também leite de soja e ácido fólico, o suplemento vitamínico. Outra coisa que ela não deixou de fazer é de se manter ocupada e trabalhar. Todos os dias, segue para o município de Candelária, a 40 Km de Santa Cruz do Sul, onde é representante comercial de jornais importantes da região sul do país e de revistas, igualmente importantes, do mercado nacional. A médica que cuida da sua doença está em Porto Alegre, mas em Santa Cruz estão o seu ginecologista e também um coloproctologista que a acompanha. “O medo de que alguma coisa dê errada existe. Afinal, é um bebezinho que está crescendo na minha barriga”, diz Graziela que engordou 7 kg e está esperando a chegada da Ana Carolina. “Por enquanto, está tudo caminhando muito bem e os médicos estão indicando para eu fazer cesárea”, diz ela.

Ângela Rejane de Castro Pereira, 39 anos, é portadora da doença de Crohn no intestino delgado há mais de 10 anos. Atualmente ela mora na cidade de Nova Petrópolis, perto de Gramado, no Rio Grande do Sul. Ângela, que é professora de matemática e de física no curso de ensino médio, deixou Porto Alegre, onde morava, e foi para esta cidadezinha de 15 mil habitantes para fugir do ritmo estressante da cidade grande e ter uma melhor qualidade de vida. Ela já precisou fazer três cirurgias devido a duas obstruções no intestino e a uma apendicite, que os médicos depois acharam que já era o Crohn se manifestando, pois após a intervenção as crises crônicas de diarréia continuaram. Na gravidez de sua primeira filha, Helena, que hoje está com 16 anos, ela ainda não sabia do seu diagnóstico. O único contratempo que teve naquela ocasião foi ter que fazer cesárea porque o bebê estava sentado, como se diz. Ângela está há 12 anos no segundo casamento e desde o ano passado ela e o marido queriam um filho, mas tinham intenção de adotar um bebê. Qual não foi a sua surpresa quando, pouco tempo depois de tirar o dispositivo intra-uterino (DIU) em razão de um mioma, descobriu que estava grávida. “Fiquei apavorada, mas ao mesmo tempo maravilhada”, enquanto todo mundo ficou preocupado com o risco de aborto”, conta Ângela. Isso não aconteceu e Ana Sofia nasceu de cesariana depois de 37 semanas de gestação com 2.600 Kg. No dia 10 de dezembro, a menina completou seis meses. “Eu me cuidava bastante tendo o acompanhamento do meu obstetra, do gastroenterologista e de uma nutricionista. Todos trabalhavam em conjunto e eu engordei quase 8 kg para não sobrecarregar meu abdome”. Já tomou Sulfasalazina e imunossupressor, mas há mais de um ano está sem medicamento para o Crohn, só cuidando da sua alimentação que é muitíssimo natural. “Quando descobri o Crohn, passei a me interessar por toda literatura que abordasse a doença, inclusive pelos livros da faculdade médica. Eu me interessava até por medicina alternativa”, conta Ângela. “Cheguei à conclusão de que a alimentação natural ajuda muito a controlar a doença e, por isso tomo alguns cuidados”, diz a professora que não come carne vermelha, frituras, doces, algumas frutas e grãos de cereais. “Hoje, aliás, toda a família segue esse mesmo cardápio”, diz Ângela, que foi orientada pela sua médica gastroenterologista a continuar com sua alimentação, mas ficar atenta a eventuais sintomas da doença.

Gilcéia Fernando Giro, 36 anos, é casada, tem duas jovenzinhas de 7 anos, as gêmeas Paula e Luisa, e ainda quer ter mais um filho. Ela descobriu que é portadora da doença de Crohn em 1990, mas isso não fez diferença para os planos de aumento da família. “Quero engravidar de novo e estou fazendo alguns exames, que são de praxe, para ver se está tudo bem”, conta Gilcéia, uma mineira de Rio Novo, uma cidadezinha perto de Juiz de Fora, que há quase 15 anos está em São Paulo. Sobre o seu diagnóstico e de como tem convivido com ele, Gilcéia pode falar muita coisa, assim como a maioria dos pacientes que têm esse mesmo problema: desde a difícil fase das diarréias incessantes até o constrangimento de passar por uma romaria aos médicos até descobrir a doença (ela foi a 8 profissionais). E também, como acontece com quase todos os pacientes que passam por processos longos e demorados para descobrir a causa de um problema que os está afligindo, Gilcéia não esquece de comentários que a marcaram mais nessa fase. Como quando ouviu pela primeira vez de um proctologista que sua doença não tinha cura. Ou quando outro profissional que, para ser simpático, lhe falou que o seu diagnóstico era compatível com moças bonitas e inteligentes como ela era, o que teria sido até muito gentil se ela não estivesse com um quadro de diarréia freqüente e já com início de sangramento intestinal. Ela também se lembra quando, com muita dor nas juntas dos pés, precisou procurar um ortopedista com urgência, durante uma madrugada, para descobrir que aquele sintoma não tinha nada a ver com a especialidade daquele médico, mas que era resultado da doença de Crohn que ela tinha. Depois de uma crise muito ruim da doença, em 1994, ela precisou fazer uma cirurgia para tirar a parte do intestino que estava muito afetada. Isso, no entanto, não impediu a sua gravidez de gêmeas em 1997. As meninas nasceram de cesárea (ela engordou 17 Kg) e ela lamenta ter amamentado somente a filha mais nova, a Luisa, que nasceu com 2.100 Kg. Paula, a filha que nasceu primeiro, com 2.800 Kg, não se interessou muito pelo leite materno.

Maria de Fátima Souza Benatti, 42 anos, casada, é mãe de Henrique, um garotão de 9 meses. Há 12 anos ela lida com os sintomas de uma retocolite e todo o dia toma Mesacol , assim como a cada ano repete o exame de colonoscopia. O único sintoma ruim que sentiu durante a gravidez foi o enjôo, muito enjôo, até o quinto mês. “Não conseguia comer direito e cheguei até a ficar desnutrida. Somente no 4º mês de gestação perdi 700 gramas”, conta Maria de Fátima. Do 6º para o 7º mês seu médico achou melhor indicar algumas vitaminas para melhorar o seu quadro: tomou 12 injeções de ferro e 6 injeções de vitamina B12. Resumo da história: nos 8 meses de gravidez Fátima engordou apenas 5 quilos. “Há três anos eu perdi um bebê com 14 semanas de gravidez, mas desta vez, apesar dos problemas de alimentação e de eu ter engordado pouco, deu tudo certo”, diz Fátima que, quando completou o seu período de gravidez estava pesando 49,5 kg. “Eu fiquei sete horas em trabalho de parto, das 3 horas da tarde às 10 horas da noite, mas, no fim, o Henrique nasceu de cesárea”, conta Fátima, que é comerciante e mora no bairro da Moóca, em São Paulo.

Márcia Branco, 38 anos, tem Crohn no íleo terminal, há cerca de 20 anos. Quase dez anos atrás ela não foi feliz na sua primeira gestação, pois sofreu um aborto com 2,5 meses de gravidez. Soube, depois, que o feto tinha má formação. “Nesta gravidez, nunca me importei se era menino ou menina. O que eu quero é que o bebê venha com saúde”, diz Márcia que está no 7º mês de gestação e já sabe que vai ter uma menina, a Letícia. Márcia sabe também que vai fazer uma cesárea para ter a Letícia porque ela tem o vírus do HPV (uma infecção que atinge a área genital), e sendo assim, não lhe é aconselhável ter parto normal. Até agora ela engordou 7 Kg. O problema que mais lhe incomodou durante a gravidez foi ter prisão de ventre, que, segundo ela, era bastante desagradável e só foi contornada com uma dieta bem balanceada à base de comida natural sem gordura, peito de frango e espinafre, chás e muito suco de laranja. Para controlar as crises do Crohn, Márcia toma diariamente 100 ml de azatioprina, o imunossupressor. “Apesar de a minha médica gastroentetrologista tentar me tranqüilizar sobre o uso deste medicamento na gravidez, gostaria de encontrar uma mulher que também tivesse tomado Azatioprina na gravidez para saber se o bebê nasceu bem”, diz Márcia que já tomou diversos medicamentos para a sua doença, desde cortisona, Puri-Nethol, Methotrexate e Entocort. Para esta reportagem, a ABCD em Foco não encontrou ninguém que pudesse ser exemplo para Márcia. Mas na tentativa de dar mais tranqüilidade para esta futura mamãe carioca, procuramos novamente o Dr. Luis Roberto Zitron, o obstetra, que chamou a atenção para o fato de que as informações sobre a Azatioprina durante a fase da gravidez ainda são limitadas (como mostra o artigo na pág.4). Seguindo esse critério de avaliação do Azatioprina, o Dr. Zitron prefere não indicar esse medicamento para as suas pacientes grávidas, mas, usando esse mesmo critério de falta de informações sobre o uso do medicamento na gravidez, ele procurou dar uma injeção de ânimo à nossa paciente carioca: “Se ela teve acompanhamento médico durante todo o período de gestação, provavelmente ela não terá problemas com o bebê”, disse ele.