Minha História



A história de Hélio Ignácio Junior, 39 anos, um engenheiro de produção que mora em Jundiaí, no interior de São Paulo, não é muito diferente daquelas que os pacientes de doenças inflamatórias intestinais costumam ter para contar. Dores no abdome, diarréia, sangramento e um emagrecimento assustador (quase 30 quilos) - tudo isso ele experimentou num período de seis anos. E ainda as visitas a muitos médicos que lhe pediam exames e mais exames, mas, no fim, não tinham nada para lhe dizer sobre seu quadro de saúde e só faziam uma recomendação: "Volte dentro de um ano".

O máximo que Ignácio conseguiu durante esse período foi um diagnóstico de retocolite ulcerativa, mas não teve muito tempo para sentir o alívio que essa descoberta poderia lhe trazer. "Os médicos que procurei deixaram a desejar porque não sabiam do que essa doença se tratava", diz ele. Ignácio lembra que certa vez estava com sangramento e um médico receitou o antiinflamatório Cataflam. A hemorragia aumentou ainda mais e ele quase foi parar no hospital. O coloproctologista que receitou a ele este medicamento não sabia que pacientes de doenças inflamatórias intestinais não podem usar determinados medicamentos, como os antiinflamatórios.

Com essa situação de desconhecimento de causa, tanto da sua parte quanto da parte dos profissionais que o atendiam, o quadro só foi se agravando e ele chegou a ter uma fístula. Até que em maio de 1999, conheceu um médico gastroenterologista que levantou a suspeita de que seu caso poderia não ser exatamente de retocolite ulcerativa, para sua surpresa. "Eu tinha muita diarréia que é característica dessa doença, mas também tinha outros sintomas, como a fístula, que é característica de quem tem Crohn", explica Hélio Ignácio.
Hoje esses sintomas continuam, embora de forma muito mais moderada, e, mesmo não tendo ainda certeza do seu diagnóstico, Ignácio toma Puri-Nethol todos os dias, faz exames de sangue freqüentemente e também se submete a uma retocolonoscopia pelo menos uma vez a cada ano para investigar se há alterações no reto. "Há três meses tive uma pequena crise com dores agudas do lado direito do abdome, o que tem mais a ver com o Crohn, mas agora estou bem”, diz Ignácio. Depois que a sua doença apareceu, seja por um ou por outro diagnóstico, não importa, o engenheiro teve que reorganizar sua vida.

Hoje ele é autônomo e dá consultoria a empresas sobre patentes na área de propriedade industrial. “O fato de ser autônomo me dá mais tranqüilidade para lidar com os meus horários de banheiro e tenho mais tempo livre para ficar com a Gabriela”, diz ele referindo-se à sua filha de 11 anos que costuma passar alguns dias com ele enquanto a mãe viaja a trabalho (ele é divorciado). “Agora está muito mais fácil lidar com a minha filha do que quando ela tinha quatro anos”, diz Ignácio. “Naquela época, eu tinha crises de diarréia e tinha medo de sair. Hoje posso levá-la para passear no shopping, ir ao cinema, enfim, posso fazer tudo o que um pai deve fazer.”

Hélio Ignácio: depois de reorganizar sua vida, tem mais tempo para a filha Gabriela