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Nem pergunte o que é medicação tópica
porque é certeza que você sabe do que se trata. Você
pode não estar ligando uma coisa à outra, mas certamente
já usou alguma vez na vida: medicação tópica
é aquela que você passa em alguma parte do corpo
para ela agir somente no local onde foi aplicada. A medicação
tópica não tem a finalidade de que todo o organismo
a absorva e, conforme o caso, manifeste alguma reação.
Isso seria a medicação sistêmica. Explicações
à parte, no caso dos pacientes de doenças inflamatórias
intestinais a medicação tópica é usada
sob a forma de supositórios ou enemas. É fácil
diferenciar um supositório de um enema: o primeiro é
sólido e o segundo é líquido. Além
disso, depois de colocado, o supositório fica parado no
canal anal, enquanto o enema é uma solução
líquida que é introduzida no reto através
do ânus, como se fosse uma lavagem, podendo atingir até
mais que o reto inteiro.
O enema não é indicado para todos os pacientes.
“Normalmente, receita-se esse tratamento para pacientes
que têm a inflamação do intestino localizada
no reto e atingindo também um pouco do cólon”,
explica a Dra. Magaly Gemio, coloproctologista responsável
pelo ambulatório de Doenças Inflamatórias
Intestinais do Hospital das Clínicas da Universidade de
São Paulo. “Ao invés de indicar a medicação
via oral, o médico pode dar somente a medicação
tópica”. Segundo a médica, o paciente pode
ou não ter medicação via oral e o médico
só escolhe um ou outro tipo conforme a extensão
da doença no paciente. Se for mais extensa ele pode indicar
a associação da medicação via oral
com a tópica. “Na doença de Crohn é
muito raro esta medicação ser útil, a não
ser que a manifestação da doença seja única
e exclusivamente retal, o que não é freqüente”
explica o Dr. Carlos Brunetti, coloproctologista do Hospital Santa
Virgínia, no Brás (bairro de São Paulo),
que opera também no Hospital Israelita Albert Einstein.
“A medicação tópica pode ser indicada
também para quem tem retites e proctites, que são
processos inflamatórios do reto e do canal provocados por
outras doenças que não as inflamatórias intestinais.”
A aplicação da medicação tópica
é fácil e por tempo curto: de 2 a 4 vezes ao dia
pelo período de 3 a 5 dias. Os medicamentos também
são encontrados no mercado com facilidade e os mais utilizados
são os de Mesalazina ou Budesonida. O problema é
fazer as pessoas usá-los. “Muitas vezes, os pacientes
que começam esse tipo de tratamento acabam desistindo”,
chama a atenção o Dr. Brunetti. “Por uma questão
de cultura, os nossos doentes costumam ter uma certa repugnância
ao uso de medicação tópica via retal”,
diz ele. A Dra. Magaly, do HC, concorda. “Alguns doentes
afirmam que usar supositórios é constrangedor. Outros
se recusam terminantemente a utilizar essa medicação”,
diz ela.
Mais fácil para uns, nem tanto para outros, o fato é
que a medicação tópica ajuda a dar uma boa
melhorada no quadro do paciente quando ele está com sintomas
indesejados. Mas atenção: não são
todos os pacientes que podem usar essa medicação.
É o caso do paciente que tem uma lesão anal, como
fissura, e daqueles com Crohn, que podem ter a manifestação
da doença ao redor do ânus. Sendo assim, eles não
conseguem usar a medicação porque sua aplicação
provoca dor. A medicação tópica também
não é muito indicada, por motivos óbvios,
para os pacientes que apresentam incontinência retal e têm
um número de evacuações tão alto que
não conseguem reter o líquido do enema ou o próprio
supositório.
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