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O papel atual
das drogas imunossupressoras no tratamento da doença de
Crohn e da colite ulcerativa.
| Por:
Por Burton I. Korelitz*, especial para
ABCD em Foco |
Muitos
anos se passaram desde a descoberta acidental de que a sulfassalazina
era efetiva no tratamento da colite ulcerativa. Depois descobriram
que o agente efetivo na sua fórmula não era a parte
que contém a “Sulfa” – e que causa a
maior parte das reações alérgicas e tóxicas.
A Sulfassalazina e seus derivados ativos (Mesalazinas) também
são efetivas nos casos leves da doença de Crohn.
Com a descoberta da cortisona, os gastroenterologistas e seus
pacientes com DII observaram respostas terapêuticas mais
positivas do que jamais poderiam acreditar. Isto, infelizmente,
levou a um período de complacência e redução
nas pesquisas clínicas até ser compreendido que
o efeito favorável de corticóides era curto, e que
diminuía ou era eliminado com a redução ou
parada da administração da droga. Além disso,
os efeitos colaterais eram excessivos. Pesquisadores clínicos
estabeleceram que os corticóides não têm valor
na manutenção. Seu melhor uso subseqüente foi
reconhecido somente como uma droga de fase aguda. A arte de usar
esteróides foi centralizada no sentido de ganhar tempo
para que as drogas de ação mais lenta possam agir
na manutenção. De fato, os compostos Mesalazina
e Sulfassalazina têm servido para este propósito,
mas somente em pequena porcentagem dos casos.
Nos anos 60, o conceito de doença auto-imune passou a ser
apreciado e os médicos consideraram doenças de origens
indeterminadas dentro desta categoria. Estudos imunológicos
foram lançados e nesta mesma década auto-anticorpos
foram descobertos em pacientes com colite ulcerativa. Logo, a
Azatioprina foi usada para inibir a rejeição de
um rim transplantado de um doador. Bean, na Austrália,
tratou com sucesso um paciente com colite ulcerativa com 6-Mercaptopurina
(6MP), um derivado metabólico mais puro da Azatioprina.
Brooke, na Inglaterra, reportou alguns casos de reversão
de doença de Crohn severa, incluindo alguns com fístulas
complexas, em pacientes tratados com Azatioprina, depois de falha
nos esforços cirúrgicos, algo nunca visto anteriormente.
Minhas próprias experiências iniciais com 6MP nos
pacientes com colite ulcerativa determinaram que a droga tinha
sucesso, não dramaticamente, mas depois de um uso prolongado.
A 6MP foi favorecida no lugar da Azatioprina porque Wisch, um
hematologista que trabalhava conosco, já havia tido experiências
com a droga em tratamentos com leucemia infantil. Com o encorajamento
da inicialmente formada Ileitis Foundation in the United States
(mais tarde conhecida como National Foundation for Ileitis and
Colitis e atualmente Crohn’s and Colitis Foundation of America),
eu e Present lançamos um estudo controlado de 6MP na doença
de Crohn que provou que a mesma era efetiva no tratamento das
primeiras manifestações de DII, no fechamento de
fístulas, na prevenção de pequenas obstruções
intestinais e na eliminação de corticóides.
Nosso estudo aconteceu ao mesmo tempo em que o estudo cooperativo
nacional da doença de Crohn (NCCDS) concluiu que a droga
parenta da 6MP, Azatioprina, não tinha efeito. A diferença
nos resultados podia ser explicada pelos diferentes protocolos,
particularmente porque no da NCCDS a Azatioprina era suspensa
na 17ª semana – muito cedo para que um grande número
de pacientes respondesse.
Mesmo que inicialmente houvesse resistência da comunidade
gastroenterológica em aceitar a “droga tóxica”
para o tratamento de uma “doença benigna”,
nem o 6MP provou ser tóxico, nem deveria qualquer clínico
considerar a doença de Crohn como sendo tão benigna
naquela época. A maioria dos pacientes com a doença
de Crohn era formada por jovens, física e emocionalmente,
incapacitados pela doença ou por complicações
da terapia com corticóides. A 6MP foi a primeira droga
de manutenção que mostrou fechar as fístulas.
A maior parte da toxidade do 6MP acontece cedo, com três
semanas de tratamento e é caracterizada por reações
alérgicas que diminuem quando a droga é retirada.
A droga pode ser reintroduzida e tolerada mesmo na dose completa,
dessensibilizada (reintroduzida com doses crescentes) ou mudando
da 6MP para Azatioprina, ou vice-versa. Já houve casos
em que várias formas de câncer apareciam em pacientes
que estavam tomando ou já haviam tomado a droga, mas todos
os grandes estudos até a presente data mostram que a incidência
não é maior do que em pacientes com DII não
tratados com 6MP ou Azatioprina.
Hoje a 6MP e a Azatioprina são consideradas as melhores
drogas disponíveis para a indução do alívio
e terapia de manutenção para colite ulcerativa e
doença de Crohn moderada a severa. Em novos casos, quando
a doença pode ainda estar leve, o tratamento pode começar
com um dos produtos 5ASA (Mesalasina), porém quando se
percebe que o tratamento não está funcionando deve-se
introduzir a 6MP. Em alguns casos, corticóides são
necessários para garantir o tempo exigido para a 6MP ter
sucesso. Uma vez que a 6MP é efetiva e bem tolerada, estudos
mostram que existe razão para ficar com a droga indefinidamente.
Somente quando existe a gravidez e a doença está
em remissão a droga pode ser parada temporariamente. Gastroenterologistas
pediátricos agora consideram a 6MP como uma droga de primeira
linha, normalmente combinada com a prednisona (um corticóide)
usado temporariamente para ganhar tempo até que a 6MP possa
ter efeito.

“a 6MP é provavelmente
a melhor droga que temos disponível no mercado para o tratamento
da doença de Crohn e da colite ulcerativa nos estágios
moderado a severo, nos dias de hoje.”
Com a descoberta do Infliximabe (Remicade), a droga antifator
de necrose tumoral (anti-TNF), para a doença de Crohn,
novas perguntas surgiram. Esta droga é ministrada por infusão
intravenosa e tem valor de manutenção. Pode ser
que se prove que o Infliximabe seja uma melhor opção
do que corticóides para ganhar tempo até a 6MP ter
efeito, uma vez introduzida. Neste caso, alguns pacientes vão
requisitar reinfusões de Remicade e outros não.
Se, porém, o tratamento com 6MP já está estabelecido
mas a doença de Crohn está fora do controle, infusões
de Remicade podem ser aplicadas e mais provavelmente será
requisitada a manutenção juntamente com a 6MP. Ainda
mais, o uso coincidente do 6MP com Infliximabe pode se mostrar
como redutor no desenvolvimento de anticorpos para o Infliximabe,
reduzindo as reações alérgicas e ainda oferecendo
reações sinérgicas favoráveis.
Dada a preocupação com a eficácia, segurança
e a fácil administração da droga, a 6MP é
provavelmente a melhor droga que temos disponível no mercado
para o tratamento da doença de Crohn e da colite ulcerativa
nos estágios moderado a severo, nos dias de hoje.
*Dr.
Burton I. Korelitz é diretor de pesquisa clínica
do Setor de Gastroenterologia do Departamento de Medicina do Hospital
Lenox Hill, em Nova York, e Sócio Benemérito da
ABCD.
Foi ele, juntamente com uma equipe, que primeiro demonstrou a
eficácia dos imunossupressores na DII.
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