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Métodos
de Diagnóstico
Quais
são e como são feitos os exames que confirmam
as doenças inflamatórias intestinais e avaliam
seu grau de atividade
| Por:
Valquíria Sganzerla e Maria
Amália Bernardi |
Ruim
com eles, pior sem eles. Este ditado comum se encaixa em inúmeras situações da vida da gente, inclusive
no que diz respeito aos exames médicos e de laboratório.
Além de serem quase sempre desconfortáveis e muitas
vezes dolorosos, ainda por cima podem nos brindar com resultados
preocupantes e notícias ruins. Mas é claro que
seria bem pior se eles não existissem. Vamos tomar como
exemplo a doença inflamatória intestinal – não é terrível
o paciente não saber a razão das fortes dores que
sente no abdome, das intensas crises de diarréia que não
lhe dão sossego e da perda de peso repentina e assustadora?
Ninguém merece conviver dia após dia com sintomas
que incomodam e com os fantasmas de uma doença que poucos
médicos sabem diagnosticar. A luz no fim do túnel
- ou seja, o veredicto final – na maior parte das vezes vem dos
chamados exames de diagnóstico. Tomando-se por base os
depoimentos apresentados aqui na ABCD em Foco, cerca de 90% das
pessoas que têm doença de Crohn ou colite ulcerativa
passam por pelo menos meia dúzia de médicos antes
de saber exatamente qual é o seu problema. E o diagnóstico,
via de regra, é dado pelos exames de laboratório
ou de imagens.
O
primeiro grande problema das doenças inflamatórias
intestinais é distinguir qual delas a pessoa tem. É retocolite
ulcerativa? É Crohn? E depois, que parte do intestino
está acometida? O Crohn, por exemplo, além do intestino
grosso pode acometer o delgado, ou outra parte do tubo digestivo.
Saber detalhes da situação faz toda a diferença,
pois só assim pode-se tratar a doença de forma
adequada. Por mais experiente que o médico seja, é quase
impossível ter certeza sobre todas essas informações
sem a ajuda dos exames. “Para diferenciar a doença de
Crohn, que pode comprometer qualquer parte do trato digestivo,
da retocolite, que afeta somente a região do cólon,
há vários procedimentos de diagnósticos
dos quais não dá mesmo para escapar”, diz o Dr.
Aytan Sipahi, gastroenterologista do Hospital das Clínicas. “Esses
procedimentos incluem métodos endoscópicos, que,
aliás, evoluíram muito nos últimos tempos.”
Fazer
exames, sejam de laboratório ou de imagens, não é nem
um pouco prazeroso. E parece que quanto mais sofisticados são
mais desagradáveis se tornam. Para começar, tomam
horas e horas do tempo da gente - e do acompanhante que em geral
temos que levar junto. Uma vez iniciado o exame, é um
tal de apalpa daqui, aperta dali e vasculha acolá que
não acaba mais. E entra na máquina e sai da máquina,
e tira a roupa e coloca a roupa, e toma aquele enjoativo contraste
por boca e toma outro mais tenebroso ainda por veia... Sem contar
o constrangimento causado por invasões de todos os tipos às
mais íntimas partes do nosso corpo. Resumindo, não é nada,
nada de bom. Mas há um grande consolo nessa seção
de tortura física e moral (se estivermos nas mãos
de um bom médico, que fique claro): sairemos dali com
algumas certezas.
O
problema é quando o médico não conhece
bem a doença e pede exames desnecessários. “Faz
este, faz aquele, faz mais este outro aqui”, vai falando o doutor
como se estivesse sugerindo novos sabores de sorvete (não é ele
mesmo que vai passar pela coisa...). “Por trás de todo
exame tem que haver uma pergunta e o exame deve ser feito para
responder a esta pergunta”, afirma o Dr. Arnaldo Ganc, professor
adjunto livre docente em Gastroenterologia da Universidade Federal
de São Paulo e chefe do Serviço de Endoscopia do
Hospital Israelita Albert Einstein. “O que se vê muitas
vezes é que são indicados exames desnecessários
e o paciente só vai gastar dinheiro.” Além de se
estressar, é claro. “Os médicos têm que ter
muito cuidado para não pedir exames que não vão
acrescentar nada ao quadro do paciente”, completa o Dr. Ganc.
Uma
vez que os exames são um mal necessário, vamos
olhar o lado positivo deles. Atualmente há várias
alternativas de procedimentos que podem confirmar a existência
de uma doença inflamatória intestinal - desde simples
exames de raios-X até os feitos por imagem. Estes, aliás,
estão cada dia mais sofisticados e certeiros e, por sorte,
desembarcaram no Brasil já há algum tempo. “Hoje
não ficamos devendo nada aos exames realizados no exterior”,
lembra o Dr. Aytan. Tempos atrás, alguém poderia
imaginar que uma cápsula ingerida pelo paciente poderia
conter uma máquina fotográfica capaz de fazer 50
mil fotos de todo seu intestino delgado? Há estudos americanos
mostrando que essa cápsula pode economizar o tempo e o
dinheiro que o paciente gastaria fazendo nove exames para descobrir
uma doença inflamatória intestinal. Por falar em
estudos, já existe no Japão um protótipo
de um equipamento que pretende realizar um exame ainda mais sofisticado:
o enteroscópio de duplo balão. Este aparelho, assim
como a cápsula endoscópica, também tira
milhares de fotos, mas tem a vantagem de já fazer, em
paralelo, a biópsia do local que está sendo investigado.
Como
se vê, há muito investimento em pesquisas
de novos métodos de diagnóstico para as doenças
inflamatórias intestinais. Mas, se hoje há tantos
exames modernos e se eles são feitos aqui, cabe perguntar
por que ainda demora tanto para um doente de Crohn ou de colite
receber o diagnóstico correto? Porque são poucos
os gastroenterologistas brasileiros que estão realmente
acostumados a lidar com estas doenças. Às vezes
eles não pedem os exames corretos. E os endoscopistas,
não podem ajudar? Podem sim, e muito. Mas sua experiência
no reconhecimento das lesões causadas por estas doenças
também é pequena. A soma destes dois fatores explica
o tempo excessivo para chegar ao diagnóstico certo.
Mas
afinal, quais são os exames que ajudam a diagnosticar
a doença de Crohn e a colite ulcerativa? Para que serve
cada um deles? Como são, na prática? As respostas
para estas e outras perguntas estão abaixo, na relação
que preparamos com os principais métodos diagnósticos.
Quem os explica são os médicos, mas quem conta
seus detalhes são pacientes de DII que já os fizeram.
Leia e fique sabendo tudo o que deseja sobre os exames que você já fez
ou pode vir a fazer.
Partindo
do princípio de que gostoso é comer chocolate
e não fazer exames, veja o significado do grau
de desconforto de cada caretinha:
pequeno
 médio
  grande
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TRÂNSITO
INTESTINAL
Grau de desconforto:
Para
que serve: analisa todo o intestino delgado e parte do intestino
grosso, verificando estreitamentos ou dilatações.
Muito importante na doença de Crohn.
Tempo
de exame: em geral umas 2 horas
Preparo: 12 horas de jejum total
Proibido: para gestantes (é com Raios-X)
Como é: O paciente tem que tomar de 200ml a 600ml de
um contraste por boca – o mais usado é o bário.
Esse contraste é pesado e enjoativo, apesar de ter algumas
alternativas de sabor, como baunilha ou banana. Vestindo um desses
aventais hospitalares, a pessoa sobe numa grande máquina
de raios X e começa a ser radiografada. A máquina
muda de posição várias vezes, pois as radiografias
têm que acompanhar o andamento do contraste pelos diversos
segmentos do intestino. Em determinado momento começa
o aperta daqui e aperta de lá na barriga do examinado. “Algumas
radiografias têm que ser feitas com compressão do
abdome para que os segmentos intestinais se afastem uns dos outros
e a gente consiga identificar melhor todo o intestino delgado”,
explica o Dr. Manoel de Souza Rocha, médico radiologista
do Departamento de Imagem do Hospital Israelita Albert Einstein. “Para
mim esse exame foi terrível, pois não suportei
ingerir o bário. Demorei horas e horas para fazê-lo”,
conta Flávia Marino, 28 anos, que há quase quatro
anos descobriu que tem Crohn e controla sua doença com
aplicações de Remicade de seis em seis semanas
e doses diárias de Purinethol. Em geral, este exame é muito
bem tolerado.
ENEMA OPACO
Grau de desconforto:   
Para
que serve: para avaliar o cólon
Tempo
de exame: de 20 a 30 minutos
Preparo: 48 horas de dieta total acompanhada de laxantes
Proibido: para gestantes (é com Raios-X)
Como é: O enema opaco causa um grande desconforto, antes,
durante e depois de ser feito. Por sorte é considerado
arcaico e quase não é mais usado. Sua dieta de
preparo é rigorosíssima, pois além de passar
fome durante as 48 horas que o antecedem, a pessoa ainda tem
que tomar várias doses de laxante para que não
fique nenhum resíduo no intestino. O exame em si é feito
através de raios-X. Coloca-se uma sonda no reto do paciente
e nela é introduzido um contraste (e dá-lhe bário
de novo...) e insuflado ar, que provoca cólicas. Detalhe:
tudo isso a sangue frio (não tem anestesia não...).
Dói até não poder mais. “O enema opaco não
serve praticamente para mais nada. Há mais de 15 anos
eu não o peço para um paciente meu”, afirma o Dr.
Arnaldo Ganc. “Por não ter sedação não
permite que se faça biópsia.” Infelizmente o enema
opaco pode realmente ser necessário – por exemplo, quando
por algum motivo a colonoscopia não é bem sucedida
na observação completa do intestino grosso, como
em casos de estreitamento que impossibilita a passagem do aparelho.

Flávia (à dir.): dificuldade para tomar o bário no exame
de trânsito intestinal.
RESSONÂCIA MAGNÉTICA Grau de desconforto:  
Para
que serve: para avaliar lesões intra-abdominais
e trajeto de fístulas
Tempo
de exame: de 30 a 60 minutos
Preparo: não tem jejum mas tem contraste endovenoso
Proibido: pacientes com marca-passos cardíacos, operados
de aneurisma cerebral, e com implantes cocleares. Não
se recomenda a realização de ressonância
magnética em mulheres gestantes, exceto em condições
excepcionais, à partir do terceiro trimestre de gestação.
Como é: Os médicos costumam explicar aos pacientes
que para fazer este exame ele será colocado num campo
magnético muito intenso cujas modificações
por ondas de radiofreqüência possibilitam a geração
de imagens. Traduzindo: o paciente entra numa espécie
de tubo inteiro fechado e fica lá, imóvel, durante
todo o tempo de duração do exame. Se a pessoa conseguir
dormir, ótimo. Se não conseguir e tiver qualquer
tendência à claustrofobia, está perdida. “Na
maioria dos casos uma conversa tranqüilizadora antes do
exame e a conscientização da sua utilidade são
suficientes para resolver a sensação de claustrofobia
que alguns pacientes manifestam”, diz o Dr. Manoel Rocha. “Em última
instância o exame é feito sob anestesia”, acrescenta.
O
otimismo dos médicos é realmente notável – pena
que os pacientes não tenham a mesma visão. “É impossível
dormir, pois o barulho da máquina é infernal”,
diz Maria Amalia Bernardi, 46 anos, diretora da ABCD e portadora
de Crohn há 10 anos. “Sem contar que quando a gente pensa
que está acabando vem uma enfermeira aplicar um contraste
(olha ele aí de novo!!) na veia.” Sim, caro leitor, existe
algo pior que o bário: o iodo. “Quando ele entra a gente
sente um caloooor..., um desespeeero... É bem angustiante”,
afirma Maria Amalia. Mas no fim, entre medrosos e apavorados
salvam-se todos. No caso das doenças inflamatórias
intestinais, o exame de ressonância é utilizado
para identificar espessamentos de paredes de alças intestinais,
o que traduz o grau da atividade inflamatória. Outra indicação é para
avaliar a existência de fístulas perianais.

Marcos (à esq) ao lado do afilhado e do cunhado: companheiros nas trilhas
off-road. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA
Grau de desconforto:  
Para
que serve: avaliar lesões intra-abdominais, abscessos
e espessamento de alças intestinais.
Tempo
de exame: cerca de 30 minutos
Preparo: jejum de 4 horas e contrastes
Proibido: para gestantes
Como é: Este é o exame mais utilizado para avaliar
complicações nas doenças inflamatórias
intestinais, como a ocorrência de abscessos na cavidade
abdominal e obstruções intestinais. Seu preparo
exige jejum de quatro horas, além da ingestão de
1 litro a um litro e meio de contraste (bário, logicamente).
Dependendo do caso, a tomografia computadorizada pode ser ruim
ou menos ruim. É ruim quando, além do bário
via oral, há necessidade de usá-lo também
via retal. E mais: junto com uma dose de iodo via endovenosa. É preciso
explicar melhor? A boa notícia é que ele nem sempre
requer o contraste por veia e por ânus (por boca é garantido).
Ah! Tampouco tem “apalpações”. “Este exame pode
ajudar na avaliação de fístulas perianais
e de espessamentos das paredes do intestino”, esclarece o radiologista
Manoel Rocha.
COLONOSCOPIA E COLONOSCOPIA VIRTUAL
Grau de desconforto:  
Para
que serve: para analisar detalhadamente todo o intestino grosso
e o final do delgado – permite coleta de biópsia.
Tempo
de exame: cerca de 30 minutos
Preparo: jejum de 12 horas e esvaziamento completo do intestino
Proibido: para gestantes: colonoscopia pelo próprio desconforto
e a colonoscopia virtual, por ser um tipo especial de tomografia
computadorizada, e, portanto, usa raios-X
Como é: A colonoscopia permite a observação
de todo o intestino grosso e o final do intestino delgado através
de uma minicâmera introduzida pelo ânus do paciente. “É praticamente
impossível hoje em dia fazer o diagnóstico de uma
doença inflamatória intestinal sem ter feito uma
colonoscopia”, diz o gastroenterologista Aytan Sipahi. O que
deixa um gosto amargo na boca de quem passa por uma colonoscopia é o
seu preparo, que envolve dieta líquida de 12 horas e muuuuito
laxante (o intestino precisa ficar absolutamente limpo, sem nenhum
resquício de alimentos). Depois disso, é colocada
uma sonda no reto pela qual é insuflado ar. Ninguém
precisa ter medo, pois hoje em dia o paciente é sedado – não
vê e não sente nada.
“A colonoscopia foi o pior exame que já fiz porque na época,
no começo de 1990, ele era feito sem anestesia”, conta
Marcos Antonio Fantim, 42 anos que descobriu o Crohn quando tinha
18 anos. “Durante todo esse tempo eu já fiz e repeti diversos
exames, como raios-X simples, trânsito intestinal e a própria
colonoscopia, que agora está muito mais fácil.” Fantim é casado,
mora em São Bernardo do Campo e há 10 anos tem
a doença sob controle. “Já perdi 55 cm do intestino
devido a duas cirurgias que precisei fazer. Mas tomo Pentasa
todos os dias e há muito tempo não sei o que é crise”,
diz ele.
A
colonoscopia virtual é de certa forma similar à convencional,
só que é feita com um pouco mais de sofisticação.
Na verdade, as imagens são obtidas através de uma
tomografia computadorizada ou de uma ressonância magnética,
com o paciente na posição helicoidal (em caracol).
Ou seja, não há necessidade de introduzir nada
no seu corpo. “Trata-se de uma avaliação mais rápida
do intestino, principalmente do grosso, sem a necessidade de
um procedimento tão invasivo quanto o que é feito
na colonoscopia convencional”, explica o Dr. Jacob Szejnfeld,
professor livre docente e chefe do Departamento por Imagem da
Unifesp, Universidade Federal de São Paulo. O problema é que
a colonoscopia virtual exige o mesmo preparo que é feito
no exame convencional. “De maneira geral, este exame não é feito
em quem tem Crohn ou retocolite, pois seu objetivo é pesquisar
lesões específicas, como pólipos e pequenos
tumores”, diz o Dr. Szejnfeld.
ULTRA-SONOGRAFIA
Grau de desconforto: 
Para
que serve: para avaliar lesões intra-abdominais,
abscessos e espessamento de alças.
Tempo
de exame: cerca de 20 minutos
Preparo: nenhum
Proibido: a ninguém
Como é: Esse é bico. Absolutamente indolor, e
sem contra-indicações, basta passar um gel no abdome
do paciente pelo qual desliza-se um aparelhinho (transdutor)
que vai pesquisar se existem complicações como
abscessos intra-abdominais e, eventualmente, segmentos de alças
intestinais que tenham paredes espessadas. É um dos exames
mais simples que existem, mas, sem exames complementares não
permite que se feche um diagnóstico.
CÁPSULA ENDOSCÓPICA
Grau de desconforto: 
Para
que serve: avaliar lesões intra-intestinais não
alcançadas pela endoscopia alta e pela colonoscopia.
Tempo
de exame: 8 horas
Preparo: nenhum
Proibido: para portadores de estreitamento verificado no trânsito
intestinal.
Como é: Oficialmente lançada no Brasil em dezembro
de 2001, a cápsula endoscópica tem o formato de
uma pílula comum. No seu interior, entretanto, surpresa:
há uma parafernália de equipamentos só vista
antes nas ficções científicas de Hollywood.
Prende-se na cintura do paciente uma espécie de “pochete” (ele
fica com esse cinturão durante as oito horas de duração
do exame). Em seguida, ele ingere a cápsula que carrega
no seu interior uma câmera de vídeo em cores, 6
flashes, um transmissor de dados e uma antena, tudo isso de tamanho
micro – a cápsula é pequena e pesa 3 gramas. A
partir daí começa o exame. Munida com uma bateria
que dura de 6 a 8 horas, a cápsula viaja por todo o aparelho
digestivo do paciente como qualquer alimento, movida pelo peristaltismo
(movimento do tubo digestivo que leva o bolo alimentar adiante).
Durante a “viagem”, ela filma o interior do intestino numa velocidade
de 2 fotos por segundo e emite o seu sinal para o gravador, que
está no cinturão. Quando a bateria acaba, a cápsula
pára de emitir as imagens e é eliminada normalmente
pelas fezes.
Não é preciso internação para este
exame - o paciente só vai ao hospital para pôr e
retirar o cinturão e, no meio tempo, faz suas atividades
normais, com certa moderação. Dentre as indicações
da cápsula endoscópica, as mais comuns e já comprovadas
são para casos de sangramentos digestivos de origem indeterminada,
anemias de difícil diagnóstico, doença de
Crohn e doença celíaca. “Este procedimento é o
que há de mais moderno em termos de exames por imagens”,
diz o Dr. Ricardo Leite Ganc, endoscopista do Hospital Israelita
Albert Einstein e assistente do Serviço de Endoscopia
da Santa Casa de São Paulo, que passou dois anos na Universidade
de Toronto, no Canadá, aprendendo a realizar este exame. “É o único
exame por imagem que não é invasivo e consegue
ver todo o intestino delgado (que tem entre 3 e 7 metros).” Quase
30% dos pacientes de Crohn têm a doença nesta região
do intestino delgado”, explica o Dr. Ricardo. Segundo o médico,
este exame só não pode ser realizado em dois casos:
quando o paciente tem estenose e quando não consegue engolir
a cápsula.
Sem
entender muito bem pelo que iria passar, e com a família
bastante assustada, o aposentado Vinícius Miguel de Ávila,
de 70 anos, experimentou a cápsula endoscópica
no final do ano passado como última tentativa para descobrir
qual era a razão para aquelas dores no abdome que nenhum
exame conseguia identificar. Vinícius é de Florianópolis,
cidade onde fez vários exames – tomografia, endoscopia,
trânsito intestinal e colonoscopia por duas vezes – sem
resultado algum. Os médicos suspeitavam de síndrome
mielodisplásica (baixa produção de leucócitos)
e ele tinha que tomar sangue de 15 em 15 dias. Já estava
internado há mais de 40 dias, muito fraquinho, no Hospital
Israelita Albert Einstein, em São Paulo, quando seu médico
sugeriu fazer o exame com a cápsula endoscópica.
A princípio, sua mulher, os 4 filhos e os 5 netos levaram
um susto. “Por que não”, ponderaram depois. Vinicius fez
o exame e, no final, foi detectada uma inflamação
no seu intestino - nada que um remédio à base de
cortisona não resolvesse. “Eu não senti nada tomando
a cápsula”, afirma ele. “Só lamentei o preço.” Ele
pagou R$4.500,00, mas seu problema foi resolvido. “Ele voltou
outra pessoa para casa, bem mais animado”, comemora sua filha
Maria José.
EXAMES DE SANGUE
Grau de desconforto: 
Para
que serve: avaliar atividade da doença, deficiência
nutricional, infecção, diagnóstico diferencial,
etc.
Tempo
de exame: poucos minutos
Preparo: jejum de 4 a 8 horas
Proibido: para ninguém
Como é: Os exames de sangue são igualmente importantes,
pois além de ajudarem a identificar a presença
de uma inflamação avaliam a quantas anda a atividade
da doença. Alguns contam as albuminas (proteínas),
outros podem revelar se de fato o paciente tem uma doença
inflamatória intestinal. Os nomes desses exames de laboratório
são de arrepiar: pesquisa de anticorpos contra citoplasma
de neutrófilos (ANCA) e contra epitopos oligomanosídicos
(ASCA). Na prática, é só uma picadinha de
agulha no braço do paciente para tirar um pouco de sangue.
Quando o exame de ANCA se mostra alterado o paciente tem maiores
chances de ter retocolite; se o mesmo acontecer no exame de ASCA,
o paciente é, com maior probabilidade, portador da doença
de Crohn.
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