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Garota esperta
Ela
está sempre prevenida e não acha a colite um
bicho de sete cabeças Patrícia
Barbosa Silveira é, como dizem os adolescentes, desencanada!
Há dois anos, esta linda paulista de Ribeirão Preto
descobriu que é portadora de colite ulcerativa. Os primeiros
sintomas – diarréia com sangramento e dores no abdome – começaram
quando tinha 11 anos (hoje está com 15). Na época
passou por oito médicos, mas nenhum deles conseguiu identificar
seu problema, que, naturalmente, só piorou. Tempos depois,
uma anemia a obrigou a ficar 15 dias internada (no hospital Beneficência
Portuguesa, em São Paulo) para tomar sangue. Ao fazer
os exames de praxe, incluindo uma colonoscopia, recebeu seu diagnóstico.
“Todos lá em casa ficaram bastante assustados, pois ninguém
nunca tinha ouvido falar da doença”, conta Patrícia,
que é filha de um casal de advogados (tem um irmão
de 20 anos e uma irmã de 13), está no segundo colegial
e pretende fazer faculdade de Medicina. “Eu achei que nunca mais
sairia de casa.” Para sua sorte, sua doença está sob
controle (ela toma apenas um comprimido diário de 50 mg
de Purinethol) e as crises são esporádicas e rápidas. “Elas
acontecem mais na época de provas da escola”, diz sua
mãe, Ana. Nestes períodos, a jovem cuida um pouco
mais da sua alimentação. De resto, leva a vida
como todo jovem da sua idade – inclusive com as variações
de humor que eles têm. Além da escola e de um curso
de inglês, Patrícia treina vôlei com o time
do Sion, colégio em que estuda. Mas as duas coisas que
mais gosta de fazer são tocar guitarra elétrica
e ficar com o namorado, Eduardo, de 17 anos. Os dois estudam
e tocam violão juntos e ele a ajuda a controlar o que
pode e não pode comer.
Na
escola, nem os professores nem os colegas de classe estranham
o número de vezes que Patrícia sai da sala para
ir ao banheiro. Todos sabem da sua doença. Ela, por sua
vez, aprendeu a conviver realmente bem com o problema. Não
esconde de ninguém e carrega sempre na mochila uma troca
de roupa para o caso de um acidente de percurso. “Eu não
quero saber de passar apuros como o de alguns anos atrás,
quando tive uma crise de diarréia, num parque da Disney,
e precisei comprar uma roupa”, lembra Patrícia. “Minha
colite não é mais um bicho de sete cabeças.”
Enfim,
a volta por cima
Além do calvário para descobrir o Crohn, a doença
lhe tirou um filho

Na
véspera de Natal do ano passado, Luiza Cristina Giordano,
31 anos, soube, enfim, qual a verdadeira razão de todos
os momentos de dor, desânimo e tristeza pelos quais passou
na vida: ela tem doença de Crohn. Assim como 99% dos portadores
de Crohn, até receber o diagnóstico correto Luiza
teve que suportar todos aqueles sintomas horrorosos e pular de
médico em médico sem encontrar algum que descobrisse
o que ela tinha e soubesse tratar. Mas sua história, infelizmente, é mais
triste: o Crohn lhe tirou um filho. O pesadelo da moça começou
com uma cirurgia para tratar de uma fissura anal, em 1995. Depois
vieram as diarréias, as febres altas, o sangramento, o emagrecimento... “Eram
tantos sintomas que eu logo fui taxada de hipocondríaca”,
diz Luiza, casada e mãe de um menino de 4 anos. “Tinha gente
que me perguntava com ironia: ‘em que médico você vai
hoje'”?
Na
gravidez do seu segundo filho, no segundo semestre de 2001, Luiza
foi hospitalizada várias vezes por conta das dores
que sentia. Na época ninguém sabia o que ela tinha.
Em 18 de fevereiro de 2002 sua filha nasceu, com apenas seis meses
de gestação. E pior: nasceu contaminada pela infecção
da mãe. Mãe e filha começaram uma dura luta
pela vida. Luiza estava com um terrível quadro de infecção
generalizada – teve que fazer uma histerectomia (retirada dos órgãos
femininos de reprodução), que lhe impediria para
sempre de ter mais filhos, e mais quatro cirurgias para tirar pus
do abdome. Depois de 47 dias de UTI, enfim, se recuperou. Mas sua
filha recém-nascida resistiu apenas dois meses. Após
duas septicemias, morreu de pneumonia e falência múltipla
dos órgãos.
Em agosto
de 2003, Luiza estava trabalhando num evento em Florianópolis
(ela é diretora de Marketing de uma empresa fabricante de
equipamentos odontomédicos), quando teve uma suboclusão
intestinal. Retornou à Taubaté, onde mora, e foi direto
para o hospital. Uma videolaparoscopia fez o médico desconfiar
de doença de Crohn. A colonoscopia não confirmou a
suspeita, mas um exame de trânsito intestinal apontou o Crohn.
Luiza procurou um especialista em São Paulo e passou a tratar
corretamente da sua doença (toma Pentasa, Meticorten, Pantozol
e Purinethol). “Obedeço rigorosamente às orientações
do meu médico”, diz ela. “Graças a Deus estou bem e
levo a minha vida normalmente." |