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Parabéns
para a ABCD
A
Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e
Doença de Crohn está completando 5 anos de vida
e de muito trabalho de apoio para seus associados
É com muito orgulho que comemoramos neste mês de
fevereiro os cinco anos da Associação Brasileira
de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, a nossa ABCD.
A ABCD nasceu com o objetivo de reunir os portadores dessas doenças
e os profissionais que lidam com elas, transmitir-lhes todas
as informações disponíveis e proporcionar-lhes
o máximo possível de facilidades. Até hoje
a maior parte das pessoas, aqui e no mundo todo, nunca ouviu
falar em doença de Crohn ou em colite ulcerativa, doenças
inflamatórias intestinais que acometem homens e mulheres
de qualquer idade, em igual escala. Poucos médicos estão
habilitados a tratá-las. Ter uma doença ou conviver
com alguém que tenha já é difícil
por si só – sem informações, então, é muito
mais complicado. Foi para ajudar a melhorar a vida de quem sofre
de Crohn ou colite Ulcerativa que nasceu a ABCD. “Nós
queríamos dar aos pacientes as informações
de que eles tanto precisam”, diz o Dr. Flavio Steinwurz, gastroenterologista
de São Paulo, fundador e presidente da ABCD. “Queríamos
também permitir a troca de experiências entre eles
e entre os profissionais que direta ou indiretamente lidam com
o Crohn e a colite.” Cinco anos depois, podemos afirmar que os
objetivos do Dr. Steinwurz foram alcançados. A cura para
a doença de Crohn e para a colite ulcerativa ainda não
existe, mas hoje, a exemplo do que ocorre nos países do
primeiro mundo, os brasileiros portadores dessas doenças
têm acesso a informações sobre tratamentos
e aos medicamentos, o que certamente melhorou sua qualidade de
vida. Em todos esses anos de vida a ABCD tem trabalhado em prol
desta causa, levando insistentemente à comunidade médica
em geral as últimas novidades em termos de tratamentos
e medicamentos. Apesar das dificuldades inerentes a uma entidade
sem fins lucrativos como a ABCD, ficamos felizes em afirmar que,
nesses primeiros cinco anos de existência, essa associação
tem se saído bem. Assim, o “V” que representa o número
5 em algarismos romanos também pode ser interpretado como
um V de vitória.
Podemos
enumerar vários exemplos para comprovar que os
principais ideais da ABCD têm sido atingidos com sucesso.
Para começar, temos hoje cerca de 1.200 associados que,
além de receberem orientação sobre seu problema
de saúde, têm direito a inúmeras facilidades.
As primeiras delas mexem diretamente com seu bolso: graças
a parcerias feitas com laboratórios em todo o Brasil,
os associados podem fazer exames médicos em laboratórios
e pagar bem menos. Também podem obter medicamentos a preços
subsidiados, com descontos que vão de 10% a 50% (veja
a coluna Facilidades para você à pág. 00).
Outro benefício importante da ABCD é munir pacientes
e profissionais de todas as informações disponíveis
no mercado. Isso é feito através de folhetos educativos
ou desta revista, a ABCD em Foco, que trimestralmente faz uma
ampla cobertura de notícias e eventos relativos às
Doenças Inflamatórias Intestinais (esta é a
sua 17ª edição).
 A
ABCD não se limita a orientar e apoiar somente os portadores
das doenças. Suas famílias também recebem
um bom suporte e, dessa forma, passam a entender melhor esses
diagnósticos. Com isso, naturalmente, o convívio
social fica mais fácil. Em agosto próximo, no auditório
do Hospital Albert Einstein, será realizado o “II Encontro
de Portadores e Familiares”. O primeiro, no fim de 2000, atraiu
mais de 100 participantes e a idéia agora é repetir
a dose anualmente. Nesses eventos, pais e filhos, médicos,
enfermeiros, nutricionistas e psicólogos expõem
suas dúvidas e trocam experiências. “Eu gostei muito
do primeiro encontro e estarei sem falta no segundo”, diz Hugo
Caccuri Junior, marido de uma paciente de Crohn. “Esses eventos
são bons em todos os sentidos – informam, esclarecem,
instruem e ainda por cima ajudam a mostrar aos pacientes que
nós, familiares, nos interessamos pelo seu problema.”
Um
dos maiores benefícios que a criação
da ABCD proporcionou à comunidade portadora de Doenças
Inflamatórias Intestinais foi conseguir, junto ao Ministério
da Saúde, o fornecimento gratuito dos principais medicamentos
usados no trato dessas doenças. São justamente
remédios que têm um custo altíssimo: Sulfassalazina,
Mesalazina, Azatioprina, Ciclosporina, Metotrexato, Cloridrato
de Ciprofloxacina e Infliximabe (nome do princípio ativo
do Remicade). Desde julho de 2002, os pacientes que se cadastram
na Secretaria da Saúde do seu Estado podem receber, de
graça, através do SUS, medicamentos considerados
excepcionais. E o melhor é que isso não muda de
governo para governo. Do jeito que a coisa foi feita, é quase
impossível o governo federal derrubar a portaria que foi
assinada, o que significa que os remédios permanecerão
sempre disponíveis.
“Nós queríamos dar aos pacientes as informações
de que eles tanto precisam e também permitir a troca de
experiências entre eles e os profissionais que lidam com
o Crohn e
a colite.”
Nesses
cinco anos a ABCD cresceu sem parar. A sede (própria,
aliás) fica em São Paulo, em um ótimo conjunto
no número 1304 da Alameda Lorena, no valioso bairro dos
Jardins. Só que o leque de serviços da Associação
precisava se expandir pelo Brasil e, em função
disso, em fevereiro de 2003 foi inaugurada em Curitiba a primeira
filial (Rua Cândido Xavier, 575, dentro do prédio
da Associação Médica do Paraná).
A filial de Curitiba está sob a supervisão da gastroenterologista
Heda Amarante. Poucos meses depois, foi a vez da cidade de Porto
Alegre dispor dos serviços da ABCD – a nossa segunda filial
nasceu na capital do Rio Grande do Sul sob a coordenação
da gastroenterologista Marta Brenner Machado (Avenida Plínio
Brasil Milano, 289, conjunto 201). Nestes primeiros meses de
2004 vamos inaugurar mais duas filiais: a de Florianópolis
e a do Rio de Janeiro. A de Florianópolis (SC) funcionará a
partir de março, no mesmo prédio onde estão
a Associação Catarinense de Medicina (ACM) e a
Sociedade Catarinense de Gastroenterologia (Rodovia SC 401, Km
04, 3854, bairro do Saco Grande, tel. (48) 231-03-16. O Dr. Luciano
Saporiti, que tem especialização em Gastroenterologia
e Endoscopia Digestiva, será o responsável por
ela. A do Rio de Janeiro será inaugurada logo em seguida
e ficará sob os cuidados da Dra. Cyrla Zaltman, que também é gastroenterologista.
Como
tudo começou
Há pouco mais de 15 anos, o Dr. Burton Korelitz,
dos Estados Unidos, uma das maiores autoridades em doenças
inflamatórias intestinais do mundo, esteve no Brasil
para participar de uma série de cursos. Com sua
larga experiência no acompanhamento de pacientes
portadores de colite ulcerativa e doença de Crohn,
orientou o Dr. Flavio Steinwurz, o presidente da ABCD,
quanto à necessidade de ter no país um atendimento
diferenciado para esses doentes. “Ele me disse que deveríamos
montar um ambulatório especial na escola médica
e também formar grupos de interesse comum, compostos
por médicos, profissionais para-médicos,
portadores, etc.”, lembra Steinwurz. “Como exemplo, ele
citou a NFCA (National Foundation for Ileitis & Colitis),
entidade americana da qual era diretor e que alguns anos
depois passou a se chamar CCFA (Crohn's & Colitis Foundation
of América).” O Dr. Steinwurz chegou a realizar
algumas reuniões para tentar transformar essa conversa
em realidade. Só que, naquele momento, a idéia
não vingou.
Nove
anos depois, em abril de 1998, um outro médico
ilustre veio ao Brasil para dar uma palestra: o Dr. Seymour
Katz, também especialista em DII e ex-presidente
do American College of Gastroenterology. “Da mesma forma,
o Katz insistiu que eu deveria montar os grupos de apoio
e formar uma associação”, diz Steinwurz. “Ele
nos facilitaria o caminho colocando-nos em contato com
o presidente da CCFA, que naquela época, era o Dr.
James Romano.” Depois de acertar a parceria com a CCFA,
em que foi combinada a distribuição de todo
o material impresso da entidade americana (folhetos educacionais),
nasceu, finalmente a ABCD. O Dr. Flavio Steinwurz, sem
dúvida, é o grande responsável pela
existência da ABCD – mas, como ele mesmo diz, contou
com algumas mãozinhas especiais. “Eu recebi muita
ajuda, sobretudo por parte de um grupo de pacientes que
já se reunia com freqüência no meu consultório
e que acabou formando o quadro de fundadores da ABCD”,
afirma o médico. “Alguns laboratórios e profissionais
envolvidos com essas doenças também me ajudaram.” Parte
da indústria farmacêutica, aliás, continua
ajudando a ABCD até hoje através do patrocínio
de trabalhos. Um deles, por exemplo, é esta revista
que você está lendo. |
Desde
sua fundação, entretanto, São Paulo é que
tem sido a base dos eventos da ABCD. Foi aqui que foram realizados
os dois Simpósios Internacionais de Atualização
em Doença Inflamatória Intestinal, promovidos pela
entidade: o primeiro, em 2001, no Hospital Albert Einstein, e
o segundo, em 2003, no Hospital Oswaldo Cruz. Nessas duas ocasiões,
os eventos contaram com a presença de professores, doutores
e especialistas estrangeiros e brasileiros, que puderam fazer
um intercâmbio de experiências bastante proveitoso,
segundo a opinião geral. É em São Paulo
também que acontecem as reuniões de cinco grupos
de apoio: três de pacientes de Crohn, um de pacientes de
Colite Ulcerativa e um de adolescentes – todos monitorados por
psicólogos, médicos e nutricionistas. Por falar
em grupos de auto-ajuda, em Porto Alegre eles também funcionam
a todo vapor – é o único lugar fora de São
Paulo onde eles acontecem, mas nosso desejo é que se espalhem
por todo o Brasil com o mesmo desempenho.
O
acesso à ABCD, obviamente, pode ainda ser feito via
Internet. Assim como existem diversos endereços de busca
de informações sobre as doenças inflamatórias
intestinais na rede mundial de comunicação, a ABCD
também possui, desde o fim de 1999, uma página
na Internet — www.abcd.org.br. Nesses mais de quatro anos, o
site da ABCD recebeu 115.000 visitas. Além de responder
a dúvidas de pacientes, o site mostra todas as novidades
mundiais em tratamentos, medicamentos e pesquisas. Vale a pena
acessar, pois as informações são absolutamente
confiáveis.
Diante
de todos os resultados apresentados neste artigo, fica evidente
que há muito tempo a ABCD deixou de ser um sonho
de um médico que tinha muitos pacientes portadores de
Crohn e colite ulcerativa (veja box Como tudo começou).
A associação cresceu e, com o seu caráter
informativo e social, hoje contribui na prática com o
bem estar de um número cada vez maior de brasileiros. “O
trabalho que fazemos aqui é muito sério e não
contempla vantagens pessoais de quem quer que seja”, diz Maria
Amalia Bernardi, sócia fundadora que integra a equipe
de diretores da ABCD e portadora de Crohn há 10 anos. “Desde
que criamos esta associação eu deixei de pensar
no meu problema de saúde e passei a me preocupar com o
que eu podia fazer para melhorar a vida das pessoas que também
têm essa doença.” Por mais que a ABCD tenha evoluído,
sabemos que existe ainda um longo caminho a percorrer. “Queremos
crescer ainda mais, sempre mantendo nosso objetivo de poder apoiar
mais e mais associados”, diz, com orgulho e satisfação,
o Dr. Flavio Steinwurz, o pai da idéia de criar a ABCD
e seu maior colaborador.
Com a palavra, os associados da ABCD
“A ABCD é um bálsamo na minha vida. A Associação
veio preencher uma lacuna muito grande de falta de informações
sobre a Doença Inflamatória Intestinal. Nós,
pacientes, sofremos muito com a desinformação
sobre essas doenças. Freqüento as reuniões
de grupo e gosto muito – além de serem interessantes,
são ocasiões em que a gente se sente bem.
Damos muitas risadas, trocamos experiências... Todos
se entendem, pois têm o mesmo problema. Realmente é superimportante
poder falar com alguém que sabe do que você está falando.”
Maria Luisa Amaral
Rodrigues Esper,
51
anos (tem Crohn há 30 anos)
“É ótima a maneira como a Associação
dá suporte para seus associados.
Não só munindo-os de informações
sobre Crohn e colite ulcerativa, mas também facilitando
a obtenção de medicamentos através
de subsídio.”
Elisabeth Krause
é uma das sócias
fundadoras da ABCD
(tem
Crohn há 20 anos)
“Tirei o Crohn da minha casa. Nas reuniões da ABCD
posso falar e ser entendido. É ali que resolvo as
minhas dúvidas e choro as minhas mágoas.
Quando a Associação foi fundada, acreditávamos
que ela poderia ajudar muitas pessoas, mas vemos que ela
vai além – é também um lugar onde
fazemos amigos de verdade. Lastimo quando não posso
ir a uma das reuniões de grupo, porque elas são
realmente muito prazerosas. A ABCD evoluiu muito depressa – nem
eu esperava que ela fosse chegar tão rapidamente
aonde chegou.”
Sergio Savone, 50 anos,
é sócio-fundador e diretor financeiro da
ABCD (tem Crohn há quase 20 anos)
“No começo, a ABCD me ajudou esclarecendo dúvidas
sobre a doença de Crohn. Depois esta relação
ficou mais forte através da revista, que me traz
mais informações, e com a possibilidade de
obter medicamentos a preços mais acessíveis.
Todo esse apoio e acompanhamento tão de perto culminaram
com o trabalho que a Associação realizou – e
para o qual eu participei de algumas reuniões – para
a liberação de medicamentos de alto custo
pelo governo. Eu me sinto apoiado e amparado pelo leque
de benefícios que a ABCD oferece.”
João
Caio Parciasepe
(recebeu
o diagnóstico de Crohn há 12 anos
mas acredita ter a doença
há mais
de 30 anos)
“Tenho Crohn há quase 30 anos, mas até entrar
na ABCD, há quatro anos, nunca tinha conhecido alguém
que tivesse a mesma doença que eu tenho, o que me
fazia sentir muito só. Desde então, minha
vida mudou bastante. Através da Associação
aprendi muitas coisas. Além de informações
sobre a doença, passei a receber apoio psicológico
e orientação sobre tratamento e medicamentos.
Freqüento as reuniões de grupo, que acontecem
uma vez por mês, e lá conheci pessoas que
têm mais ou menos os mesmos sintomas que eu.
Ao
longo da minha vida já sofri muito com crises
e cirurgias, mas agora, na ABCD, enfim aprendi a conviver
com a minha doença. Valeu!”
Daniele Thomas, 50 anos |
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