Simpósio
Troca-troca proveitoso
A ABCD promove mais um evento internacional e favorece o intercâmbio de experiências
entre especialistas na Doença Inflamatória Intestinal


Nos dias 7 e 8 de novembro de 2003, a ABCD, a Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, promoveu no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, o Simpósio Internacional Multidisciplinar de Atualização em Doença Inflamatória Intestinal. Este simpósio foi o segundo evento que a ABCD realizou com este enfoque, porque dois anos atrás aconteceu o Simpósio Internacional de Atualização em Doença Inflamatória Intestinal, no Hospital Israelita Albert Einstein, também em São Paulo. Assim como no primeiro encontro, o Simpósio de 2003 contou com a presença de professores doutores convidados estrangeiros, como Marla Dubinsky, dos Estados Unidos e os argentinos Alfredo Graziano e Luis Boerr.
A novidade entre os dois eventos foi o fato de que o Simpósio de 2003 destacou o atendimento multiprofissional para os portadores de DII, ou seja, o tratamento que é feito sob a ótica de profissionais de várias especialidades, como gastroenterologistas, nutricionistas, psicólogos e imunologistas, entre outras. Com o objetivo de apresentar e debater técnicas, tratamentos e procedimentos relativos à doença de Crohn e à colite ulcerativa, estiveram presentes no Simpósio professores e profissionais de todo o Brasil, sendo que a grande maioria especializada em doenças inflamatórias intestinais. Pelo que se pôde constatar, o Simpósio da ABCD não ficou devendo nada aos eventos similares que ocorrem no exterior. “Foram dois dias de intercâmbio entre diferentes especialidades e esta troca de experiências é sempre muito importante para o nosso aprimoramento enquanto profissionais de saúde”, diz a Dra. Lucia Câmara Castro Oliveira, coloproctologista do Rio de Janeiro que, além de titular da Sociedade Brasileira de Colo-proctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, é chefe do Serviço de Fisiologia Ano-retal na Policlínica Geral do Rio e Janeiro. No Simpósio da ABCD, a Dra. Lúcia apresentou o tema “Criação e Fechamento de Ostomias”, no qual abordou os procedimentos utilizados atualmente nas ostomias (as aberturas do intestino na parede abdominal) para permitir que o paciente elimine o bolo fecal mantendo suas funções digestivas.
O Dr. Mario Geller, também do Rio de Janeiro, que é presidente do Capítulo Brasileiro do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia, diz que o Simpósio foi um grande sucesso médico-científico porque tratou “com clareza e objetividade vários temas relacionados aos mecanismos patogênicos, diagnósticos e terapêuticos na DII”. Na sua apresentação sobre “Resposta imune: ainda um mistério?”, Dr. Geller discutiu o papel da imunologia básica e clínica e da imunogenética nos tratamentos imunológicos da doença inflamatória intestinal. “Em breve surgirão novos tratamentos imunológicos com anticorpos monoclonais para a doença de Crohn e a colite ulcerativa e os resultados terapêuticos serão melhores e mais seguros, desprovidos de efeitos adversos inconvenientes”, adiantou o palestrante.
Com uma programação bastante abrangente, o encontro contou com a participação de profissionais preocupados com a nutrição dos pacientes portadores de DII. Foi o caso, por exemplo, do Dr. Ricardo S. Rosenfeld, especialista em Nutrição Parenteral e Enteral da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, que é professor do Instituto de Nutrição da Santa Casa da Misericórdia e Chefe da Equipe de Terapia Nutricional da Casa de Saúde São José, ambos no Rio de Janeiro. Dr. Rosenfeld falou sobre como e quando usar, nas doenças inflamatórias intestinais, a nutrição parenteral periférica, a NPP (administração de nutrientes por uma veia periférica no antebraço). “Nos últimos 30 anos, os avanços no campo da nutrição tornaram possível alimentar pacientes mesmo quando o intestino não está em condições de manter suas funções ou necessita de repouso para sua recuperação”, chamou a atenção o médico. “A utilização da NPP é indicada, por exemplo, para pacientes no período pré-operatório como preparo nutricional, ou no período pós-operatório, quando o jejum não será maior do que 10 dias. Pode ainda ser utilizada nas fases agudas da doença inflamatória quando o repouso intestinal é recomendado.”
Os profissionais que participaram do evento têm comentários bastante positivos sobre esta oportunidade de ver e confirmar técnicas e procedimentos sobre a DII. “Foi o primeiro simpósio da ABCD do qual participei e achei ótimo porque houve uma troca de experiências muito proveitosa”, diz Juliano Coelho Ludvig, gastroenterologista de Blumenau, Santa Catarina, que tem entre seus clientes oito casos de doenças inflamatórias intestinais. “O simpósio permitiu que se fizesse uma atualização com relação às drogas e aos problemas dos profissionais que trabalham com DII”, diz Ilson Geraldo da Silva, coloproctologista professor da Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte. “Foi uma atualização dos aspectos de investigação científica e dos avanços em diagnósticos e terapias”, acrescenta a Dra. Genoile Oliveira Santana, gastroenterologista que faz pesquisas na Universidade Federal da Bahia, em Salvador. “Houve uma troca de experiências com pesquisadores renomados e não é sempre que a gente tem uma chance como essa.”