A boa comida - dicas

Tem que ser HIPER

Hipercalóricas e hiperproteicas – é assim que devem ser as dietas dos portadores de DII
É como no casamento. Discutir a relação dos pacientes de Crohn ou colite sobre a sua nutrição e o que eles podem ou não comer também exige muita paciência. Essas pessoas têm que ter a atenção redobrada quando o assunto é alimentação, sobretudo por causa das crises que eventualmente podem ter em função das doenças — e vale tanto para quem tem Crohn quanto para quem tem retocolite ulcerativa. Após um período de crise seguido de diarréia, quando vitaminas, proteínas e todos os nutrientes vão para o espaço, eles podem apresentar taxa de desnutrição elevada. Aí, uma coisa puxa a outra: a evolução clínica do estado físico do paciente se agrava e seu sistema imunológico pode ficar alterado. “Pacientes com Crohn podem desenvolver desnutrição lenta por muito tempo, o que provoca múltiplas e graves deficiências nutricionais. Já os pacientes com retocolite ulcerativa apresentam melhor estado nutricional, mas, por outro lado, podem desenvolver uma deficiência nutricional aguda rapidamente durante uma internação hospitalar, porque em geral têm muito sangramento nesses períodos”, diz a nutricionista do Hospital Oswaldo Cruz, Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos. “Nesses casos observa-se perda de peso maior que 10% do peso corporal geralmente em 70% dos pacientes com a doença de Crohn e em 40% dos pacientes com retocolite. Essa perda de peso é provocada pela falta de apetite dos pacientes e ocorre na fase em que os diagnósticos dessas doenças são feitos”, explica Izabel.
Para não piorar o seu estado físico e ainda recuperar seu estado nutricional ganhando mais peso se for o caso, esses pacientes precisam fazer uma alimentação equilibrada, principalmente para ganhar energia e ter um aumento de proteínas. Em resumo, para estarem bem nutridos, eles têm que optar pelas dietas “hiper”: hipercalórica e hiperprotéica. Isso não quer dizer comer demais, ou de forma compulsiva e destemperada. Eles só devem privilegiar os alimentos ricos em energia e proteína e ter criatividade para fazer seus cardápios. A lista é bem conhecida:

ovos, carne bovina, aves e peixes

leite e derivados

grãos: feijão, ervilha, lentilha, grão de bico e soja

sementes oleaginosas: nozes, avelã, amêndoa, castanha
Maria Izabel dá outras dicas para se ter bons resultados com a dieta. “São aquelas regrinhas básicas que não podem ser esquecidas: comer pelo menos seis vezes ao dia ao invés de três, ou seja, dividir as refeições e fazê-las mais vezes; preferir as gorduras que ajudam a aumentar as calorias (margarina, óleos, azeite e manteiga), assim como as frituras e os refogados. A nutricionista faz mais uma observação”. Em algumas circunstâncias, os pacientes podem precisar de mais energia e calorias que não conseguem apenas com a alimentação. Nestes casos, suplementos nutricionais calóricos e protéicos podem ser acrescentados à alimentação para aumentar as calorias da dieta”, diz ela. Existem vários suplementos protéicos e calóricos no mercado. Os pacientes têm só que escolher entre os lácteos e os não lácteos, dependendo da sua tolerância à lactose (o açúcar que há no leite dos animais mamíferos). Só mais um recadinho para quem tem que aumentar a energia e a proteína na sua dieta: “fique longe dos produtos que contenham no seu rótulo o aviso de que são de baixa caloria ou light”, recomenda Maria Izabel.


A nutricionista Maria Izabel aconselha comer pelo menos seis vezes ao dia ao invés de três, ou seja, dividindo as refeições e fazendo-as mais vezes”