Minha história


Fernando Flávia Tempo nebuloso
Como a crise de retocolite e uma cirurgia no joelho mexeram com a vida do geólogo Fernando
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O geólogo Fernando César Breviglieri, 30 anos, já estava acostumado com o seu esquema de trabalho: durante 25 dias, todos os meses, ficava no mar a bordo de uma plataforma para pesquisa de petróleo na Bacia de Campos, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro. Nos cinco dias restantes ancorava em terra firme, onde procurava o aconchego familiar na casa dos pais, na Chácara Monte Alegre, em São Paulo. Foram quase três anos nessa rotina, inclusive no Natal e Reveillon. Dois anos atrás, no entanto, algumas alterações no seu corpo mexeram com a sua vida: havia um muco estranho nas fezes quando evacuava, seguido por um sangramento que não era normal. Fernando procurou um médico gastroenterologista que lhe pediu um exame de colonoscopia. O resultado não deixou dúvidas: era um caso de retocolite ulcerativa. Assim como a maior parte das pessoas, Fernando também não sabia do que se tratava essa doença e, mesmo depois de se informar, achou que os prognósticos negativos nunca o atingiriam.
Em janeiro deste ano, teve uma outra surpresa quando, após torcer seu joelho (na verdade, foi uma luxação da patela), precisou passar por uma cirurgia. "Correu tudo bem, mas desde então não consegui voltar para o trabalho" diz Fernando, que viu sua vida virar de ponta cabeça por causa de sua saúde. Depois da operação no joelho, ele teve uma crise mais séria da retocolite e na primeira quinzena de setembro precisou fazer uma cirurgia de hérnia de disco - outro velho incômodo de dor, do qual espera estar recuperado em três meses. "O pior de tudo isso foi a retocolite, porque além das dores, eu ia ao banheiro de quinze em quinze minutos para evacuar sangue. Aí eu vi como esta doença pode ser perigosa", diz Fernando que, após essa crise, ficou anêmico, perdeu 10 quilos em pouquíssimo tempo (tem 1,83 metros de altura e normalmente pesa 85 quilos) e teve que tomar uma bateria de medicamentos. "Eram sete remédios diferentes por dia, todas as manhãs e eu achava que estava no fim da linha com tão pouca idade", conta o rapaz.
O calvário de Fernando, como ele se refere a este período, ainda não estava terminado. A crise só passou depois de algumas tentativas para "desmamar" da cortisona, o que precisa ser feito gradativamente. Hoje, ele só toma dois comprimidos do imunossupressor Purinethol diariamente e está bem. A doença está controlada e Fernando não tem mais nenhum sintoma ruim para se preocupar. Seu problema agora é ganhar massa muscular, coisa que foi prejudicada pelas crises da doença e pela cortisona.
O rapaz não vê a hora de voltar à sua vida normal. Nesse tempo de repouso forçado, o que mais tem feito é ler e assistir a torneios esportivos pela televisão. Além da família (os pais, dois irmãos e sobrinhos), tem o apoio da namorada Flávia, que lhe dá muita força até para entender sua doença. É que Flávia, que tem 24 anos, está cursando medicina na Santa Casa e tem procurado aprender tudo o que pode sobre retocolite ulcerativa. "Ela me ajuda a digerir melhor os conceitos da doença e entre nós tudo fica muito claro" diz Fernando, apaixonado. O rapaz, aliás, também é muito objetivo para conversar sobre esse assunto com seus amigos (já falou até na empresa em que trabalha). "Nem todo mundo conhece a doença e as pessoas entendem melhor se não houver preconceito da parte de quem está falando sobre ela", diz Fernando.

Legenda: Fernando e Flávia: ajuda da namorada para entender a doença