De olho no íleo

Surpresa!
Na conclusão da Fase III dos estudos com Antegren, o remédio que vinha sendo aguardado ansiosamente pelos médicos porque, além da possível indicação para o tratamento da DII, poderia também ser usado pelos pacientes de esclerose múltipla, chegou-se a um resultado que ninguém esperava. É que os números finais do estudo, anunciados no final de julho pela Élan Corporation, uma das empresas responsáveis pelo projeto junto com a Biogen Inc., mostraram melhora significativa do quadro clínico de vários pacientes com o uso de placebo (comprimidos sem medicamento, apenas com açúcar ou farinha, como a pílula anticoncepcional que há alguns anos deu o maior buxixo no mercado brasileiro), comparáveis com o do grupo que usou a medicação (Antegren). Como se explica isso? Equilíbrio emocional? Confiança cega e determinada na melhora de um quadro médico? É preciso refletir... Mais estudos vão ser feitos para avaliar este medicamento. Estaremos atentos.

As manifestações dermatológicas
e o Remicade


Em geral, os médicos gastroenterologistas sabem que as reações dermatológicas provocadas pela doença de Crohn podem ser tratadas por corticosteróides e imunomoduladores. Recentemente, porém, um grupo de gastro-pediatras do Children’s Hospital of Wisconsin, nos Estados Unidos, descreveu os casos de quatro crianças com essa doença que apresentavam lesões na pele. O problema maior era que todos não respondiam ao tratamento convencional que lhes era indicado. O alívio da garotada só veio com o Infliximabe. Depois disso, os médicos acham que se deve prestar mais atenção neste medicamento também para casos específicos de complicações na área de dermatologia. Tem que ficar
de olho...

Longe do cigarro

Mais uma do Infliximabe. Desta vez, de interesse direto para os pacientes de Crohn que são fumantes. Um estudo realizado, durante um ano, com 74 pacientes com estas características, no Western General Hospital, em Edimburgh, no Reino Unido, concluiu que os fumantes têm menos chances de ter sucesso no tratamento com o Infliximabe. Segundo o estudo, o risco de os sintomas voltarem difere significativamente entre fumantes e não fumantes (100% X 39%). Na hora de decidir seu tratamento, os fumantes com Crohn precisam levar esse resultado bem a sério. Ou não?

Gravidez tranqüila

Já se falou bastante sobre este assunto, mas nunca é demais voltar a ele, pois há sempre marinheiras de primeira viagem: o que fazer para uma paciente de Crohn ter uma gravidez tranqüila. Vira e mexe, aparece uma notícia que pode mexer ainda mais com os hormônios femininos. Desta vez, a informação vem da Itália, alertando as mulheres com este perfil (que estão grávidas ou que desejam aumentar a família) para estar cientes de todo o tratamento que pode ser usado durante este período.
A regra número 1 é manter uma conversa com o seu médico sobre os medicamentos indicados, que podem ter opiniões controversas. Alguns exemplos: o methotrexate deve ser evitado por ter efeitos abortivos ou causar malformações no feto; a sulfassalazina e a mesalazina, por sua vez, podem ser usados com relativa segurança também durante a amamentação;
a azatioprina e a
6-mercaptopurina estão associados a malformações congênitas, enquanto a ciclosporina, tem relação com a demora no crescimento do feto e o risco de o bebê ser prematuro. O Infliximabe não aparece como um medicamento que cause efeitos adversos importantes na gestação, nem os antibióticos ciprofloxacina e metronidazol.