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Ai,
meu cotovelo!
A doença de Crohn e a retocolite podem causar dores e inflamações
nas juntas
Por
Maria Amalia Bernardi
Preste atenção a estas
duas histórias: I) Anos atrás, um jovem jogador
de basquete sentiu uma forte dor em um dos joelhos no meio de
uma partida. Tratou do problema com um ortopedista, como se fosse
uma torção ou algo assim. Tempos depois a dor voltou
- e não foi mais embora, apesar de todos os tratamentos
que fez. Foi, então, operado - uma vez, duas vezes, e nada
de o joelho melhorar. A essa altura, ele já havia parado
de jogar basquete. Ele não conseguia mais. Engordou, ficou
deprimido e o tempo foi passando. Um dia, por causa de outros
sintomas, descobriu que tinha Crohn. Tratou da doença da
forma certa e hoje a tem controlada. O joelho? Voltou ao normal.
II) Em 1999, uma mulher de 40 anos estava no meio de uma crise
de Crohn. Um dia, quando acordou, percebeu que seu tornozelo direito
estava doendo. Estranhou, pois não tinha feito nenhum exercício
nem torcido o pé. A dor piorou e, horas depois, já
não conseguia andar. Foi ao ortopedista, fez radiografias,
ultrasson e soube que estava com o tendão bastante inflamado.
Por sorte, não havia rompido. Teve que engessar a perna
inteira - e lhe foi prescrito um antiinflamatório. Como
ela não podia tomar antiinflamatório (quem tem Crohn
não pode), ligou para o médico que cuidava da sua
doença e explicou o que estava acontecendo. O problema,
na verdade, não era ortopédico - a inflamação
havia sido causada pelo Crohn. Até hoje, quando está
em crise, ela sente o tendão doer.
Muitos portadores de doença inflamatória intestinal
(DII), não sabem que estão sujeitos a ter problemas
como os citados nas histórias acima. Mas eles ocorrem em
cerca de 15% dos casos. "Os doentes de Crohn ou de Colite
Ulcerativa podem ter comprometimento do aparelho locomotor nas
regiões periféricas, como mãos, joelhos,
tornozelos e ombros", afirma o Dr. José Goldenberg,
médico reumatologista do Hospital Albert Einstein. É
claro que uma torção no pé ou um mau jeito
no ombro pode acontecer com todo mundo, até com o melhor
dos atletas. Só que para quem tem DII, a causa desses problemas
nem sempre são ortopédicas. É aconselhável,
portanto, sempre ouvir um especialista em DII antes de tomar qualquer
decisão sobre o que fazer. Principalmente porque, muitas
vezes, isso acontece mesmo que a pessoa não esteja em crise.
Resolver esse incômodo, teoricamente, é simples.
A investigação começa com um bom exame médico,
geral e específico, e com uma análise minuciosa
do histórico clínico do paciente e dos seus familiares.
"Dependendo do órgão ou sistema que estiver
afetado, o doente terá que fazer outros exames - desde
os de sangue até tomografia e mapeamento ósseo",
diz o reumatologista Goldenberg (é comum as pessoas com
estes sintomas serem encaminhadas para um reumatologista).
É essencial que o paciente não pare sua medicação
para Crohn ou Retocolite enquanto está tratando o problema
da dor e da rigidez das articulações que impedem
os movimentos. "O tratamento para esses quadros são
à base de analgésicos e corticóides",
diz o Dr. Morton Scheinberg, médico clínico, reumatologista
e imunologista também do Hospital Albert Einstein. "Às
vezes há indicação de medidas fisioterápicas,
como alternância de calor com infiltrações
localizadas." Resolvida a questão, os pacientes voltam
a ter vida normal.
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