Amamentação

Peito ou mamadeira?
Você pode amamentar seu bebê, apesar da doença. Mas tem que ser acompanhada de perto pelo seu médico, pois há remédios proibidos nesta fase.

Por: Valquíria Sganzerla

O sonho da grande maioria das mulheres é ter um filho. Não vamos entrar aqui no mérito da questão sobre qual é a época certa ou a idade mais adequada para engravidar. Isso cada mulher tem que resolver por sua conta, conforme o que for melhor para ela. As mulheres mais informadas sabem que as doenças inflamatórias intestinais (DII) e a gravidez podem conviver muito bem. É uma fase tão feliz que muitas vezes a futura mamãe nem lembra das crises chatas e dolorosas que já teve. Além do mais, os meses de gestação costumam ser bastante tranqüilos para as pacientes de Crohn ou colite ulcerativa. A situação pode ser mais difícil depois que o bebê nasce, pois é aí que surgem as dúvidas sobre a amamentação.
Além da insegurança natural que toma conta de toda mulher que acaba de ter bebê, as mães portadoras de DII têm alguns medos extras. Passam por sua cabeça perguntas do tipo "será que eu vou poder amamentar tomando remédios fortes como cortisona e imunossupressor?" "Será que há perigo de eu passar os medicamentos para o bebê através do meu leite?" "Será que o meu leite vai prejudicar o bebê de alguma forma?" A aflição é grande, pois nessa hora não dá para esquecer o quanto são categóricas as campanhas a favor da amamentação: "O melhor leite é o leite materno". A situação das mães que têm Crohn ou colite ulcerativa, de fato, é bem mais delicada. Mas não é impossível amamentar, se alguns cuidados forem tomados.
É fundamental saber quais são os remédios mais adequados para essa fase, quais são aqueles sobre os quais não existem dados seguros quanto ao seu uso para lactantes, e quais são os totalmente contra-indicados. "É claro que o ideal seria a mãe não tomar remédio algum, mas com essas precauções não há problema", diz o Dr. Jayme Murahovschi, diretor do Centro de Lactação da Faculdade de Santos. O pediatra costuma dar algumas orientações para as pacientes nestas condições. "A mãe deve tomar seu remédio logo após as mamadas", diz ele. "Se for preciso usar um medicamento mais forte por um curto período de tempo (cerca de dez dias), a amamentação tem que ser suspensa. Mas a mãe deve continuar tirando seu leite com a bombinha e jogá-lo fora para estimular a produção e poder continuar amamentando o bebê depois."
De maneira geral, os médicos concordam com a opinião do Dr. Jayme. É possível combinar os remédios que são necessários com a fase de aleitamento materno. Sobre o Infliximab (Remicade), por exemplo, ainda não se sabe se o seu uso nesse período é seguro (o que é uma pena, pois ele é ótimo para remissão de crises). O mesmo acontece com a Azatioprina, a 6-Mercaptopurina e o Metronidazol. As drogas mais confiáveis para a fase de amamentação são a Sulfassalazina, a Mezalazina e os corticóides - esses últimos são aceitos quase que por unanimidade pelos profissionais. Já os imunossupressores, constantemente indicados para as doenças inflamatórias intestinais, são rigorosamente proibidos enquanto a paciente estiver amamentando. "Os imunossupressores provocam uma queda da imunidade da mãe e do bebê - por isso são contra-indicados", diz o Dr. Mauro Toporovski, chefe da Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica da Santa Casa.
Para que o período de amamentação seja realmente tranqüilo, as pacientes precisam ser acompanhadas de perto pelo seu médico, e não só pelo pediatra. Cada pediatra tem sua opinião sobre os medicamentos que podem ser indicados e isso, numa roda de conversa entre mães novatas, pode gerar dúvidas sobre o que é melhor fazer. Confiança total é o nome do jogo nessa fase da relação médico/paciente. Com Hellen Lupovici Moritz, 29 anos, tudo deu certo. "Passei muito bem na gravidez, não tive que mudar nada", diz ela. "Durante os oito meses em que amamentei tudo também correu bem". Hellen descobriu que tem Crohn há quase cinco anos. Desde então, toma um antiinflamatório intestinal diariamente - e não parou de tomar nem um dia enquanto estava amamentando. O pequeno Gabriel, seu bebê, está hoje com um ano e sete meses. Graças a Deus, é super saudável.

Para que o período de amamentação seja realmente tranqüilo, as pacientes precisam ser acompanhadasde perto pelo seu médico, e não só pelo pediatra