Saúde pública

Medicamentos de graça
O SUS passa a distribuir remédios para Crohn e Colite Ulcerativa

Sintomas, novas drogas, pesquisas, dietas, cases... Entre na Internet - há milhares de informações ali, a apenas alguns cliques da sua curiosidade. Nós selecionamos dez bons endereços para ajudá-lo. Mãos à obra!

Por: Valquíria Sganzerla

Poucas notícias poderiam ser tão boas para os pacientes de Crohn e retocolite ulcerativa quanto a de que o governo vai começar a distribuir todos os principais medicamentos que tratam essas doenças. Sim, a palavra "distribuir" quer dizer exatamente isso que você está pensando: os remédios não custarão nada, serão dados. Em julho último foi publicada no Diário Oficial a portaria no1318, que determina que o SUS (Sistema Único de Saúde) passe a distribuir no país inteiro mais 38 medicamentos de alto custo (além dos que já são dados há tempos). Por serem caros, esses remédios são chamados de excepcionais. Constam dessa relação antibióticos (Ciprofloxacina), anti-inflamatórios intestinais (Mesalazina e Sulfassalazina) e imunossupressores (Azatioprina, Ciclosporina e Metotrexato). Consta também o Infliximab, ou seja, o Remicade, um dos medicamentos mais eficazes (e caros) que já apareceram para fazer a Doença de Crohn entrar em remissão (sair de crise). Com essa distribuição o Ministério da Saúde espera ajudar milhares de brasileiros que têm doença inflamatória intestinal - DII.

Ainda sem respostas
Os pacientes de Crohn e colite não serão os únicos beneficiados com essa nova portaria. "Agora pessoas que sofrem de dor crônica, mal de Parkinson, osteoporose, asma grave e outras doenças crônicas ou raras também poderão ser tratadas na rede pública," diz o ministro da Saúde, Barjas Negri. Embora qualquer cidadão tenha o direito de receber as medicações gratuitas, a medida ajudará sobretudo a população de baixa renda. "São pessoas que dependem exclusivamente do SUS e não têm condições de adquirir esses remédios, em geral muito caros e de uso continuado", afirma o ministro.

A portaria baixada pelo governo sem dúvida é sensacional mas, indo direto ao ponto, quando entrará em vigor? O que é preciso fazer para conseguir os remédios? Onde serão distribuídos? Não há ainda respostas definitivas para essas perguntas, pois toda a logística está sendo pensada. "As Secretarias Estaduais da Saúde necessitam de um tempo para se organizar", diz a Dra. Ireni Troyano Tavares, assistente técnica da Comissão de Medicamentos Básicos da Secretaria Estadual da Saúde do Estado de São Paulo. "Ainda estamos estudando uma série de questões, como por exemplo qual será o fluxo que precisaremos estabelecer para a aquisição de medicamentos."

Teoricamente, conseguir os remédios não é complicado. Os interessados só precisam ter disposição e paciência. Em primeiro lugar, porque é preciso aguardar que a distribuição comece, de fato, a ser feita. Ninguém da Secretaria da Saúde arrisca dizer uma data, porque apesar de simples, o processo exige alguns cuidados. O governo, naturalmente, não quer e nem pode correr o risco de que esses medicamentos sejam comprados por qualquer pessoa, até para impedir que surja um mercado negro. Por isso, os candidatos precisam seguir alguns passos. O primeiro deles é se cadastrar num centro de referência do Estado, preenchendo papéis para explicar o seu diagnóstico e qual é a necessidade do medicamento que está sendo solicitado. Junto com isso, a pessoa deve entregar todos os exames médicos já feitos que comprovem o quadro da doença. Quem estiver sendo tratado por um profissional particular tem que entregar um relatório com todo o seu histórico clínico, escrito e assinado pelo médico, e uma receita com a dosagem do medicamento que está sendo pleiteado.
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Uma vez que essa primeira etapa tenha sido cumprida, um consultor médico indicado pela Secretaria da Saúde irá avaliar todo o material recebido. O tempo de espera aí é de uma semana a dez dias. Só quando tudo estiver aprovado é que a pessoa terá o seu processo concluído. O passo seguinte - e último - é pegar o remédio. No caso do Remicade, cuja aplicação requer uma internação hospitalar, não está decidido ainda em que locais isso poderá ser feito. É provável que seja exclusivamente nos centros de referência estabelecidos pela Secretaria da Saúde. "Na Cidade de São Paulo, três hospitais universitários são considerados centros de referência: o da Santa Casa de São Paulo, o da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP (novo nome da antiga Escola Paulista de Medicina) e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP", diz a Dra Ireni.

Fundamental
Enquanto essa questão depende da determinação de cada Secretaria da Saúde do país, os interessados podem ir resolvendo a parte burocrática e ficar com todo processo pronto. Independente dos detalhes, o simples fato de medicamentos de tão alto custo terem sido liberados já é comemorado pela comunidade médica. "Isso estava se tornando fundamental, pois tanto em São Paulo como em outras grandes cidades, a doença de Crohn já é considerada um problema de saúde pública", afirma o gastroenterologista Aytan Sipahi, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. "Há uma média de cinco a seis leitos por semana comprometidos com essa doença no Hospital das Clínicas, o que mostra que a história natural dessa patologia está mudando."


Independentemente dos detalhes, o simples fato de medicamentos de tão alto custo terem sido liberados já é comemorado pela comunidade médica