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Complicações
do Crohn
As lesões anorretais
são uma chatice a mais para quem tem Crohn. Saiba quais
são elas e como tratá-las
A doença de Crohn,
por si só, já torna a vida mais complicada, por
mais que a pessoa encare as dificuldades com otimismo. Mas doença
de Crohn com lesões anorretais, é uma coisa que
realmente põe à prova a capacidade de qualquer ser
humano querer ir em frente. Só quem tem essas lesões
sabe o quanto elas são chatas - e o quanto podem afetar
o humor. Quando não é o incômodo da dor, sobretudo
para evacuar, a região afetada fica ardendo - na verdade
pegando fogo - ou coçando. As lesões podem dificultar
a evacuação. Ou, o que é ainda pior, podem
impedir o controle das fezes.
É
preciso ter uma paciência de Jó para enfrentar esse
problema. A notícia boa é que essas lesões
podem melhorar muito com um tratamento clínico adequado.
O paciente de Crohn, naturalmente, tem que ficar atento às
manifestações que ocorrem no seu corpo, para tratar
desses eventuais sintomas rápida e corretamente. Há
diversos tipos de lesões anorretais. As fissuras, caracterizadas
por pequenas feridas no ânus, são bastante conhecidas.
As fístulas, orifícios que ligam o canal anal com
a pele perianal, são super dolorosas. Há também
os abscessos, acúmulos de pus na região anorretal
que muitas vezes abrem e se transformam em fístulas. Há
ainda casos em que as lesões apresentam sobra de pele perianal,
os chamados plicomas, ou então provocam um processo de
estenose, que é o estreitamento do ânus. Mais raramente,
podem também provocar o estreitamente do reto, em conseqüência
das cicatrizes ocasionadas por sucessivas inflamações.
"O quadro das lesões anorretais é variável.
Pode regredir ou evoluir e causar importantes modificações
nas estruturas do canal anal do paciente", explica o Dr.
Flávio Antonio Quilici, Professor Titular da Disciplina
de Moléstias do Sistema Digestivo da Faculdade de Medicina
da PUC Campinas e Presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia
Digestiva.
Vamos
ser felizes
Algumas medidas higiênicas e alimentares, calor local e
o uso de cremes à base de vitamina A e D ou soluções
ajudam a aliviar os sintomas. Para melhorar o quadro, o paciente
pode recorrer também às soluções anti-sépticas,
como o permanganato de potássio, para fazer banhos de assento.
Há ainda uma série de medicamentos que vêm
apresentando bons resultados para esses problemas. O Remicade,
o mais novo para a doença de Crohn, é um desses
exemplos que ajudam na cicatrização das lesões
graves e extensas do Crohn anorretal. Em alguns casos, poucos,
na verdade, a solução pode vir através de
uma cirurgia. "Para indicá-la, é preciso levar
em conta a intensidade e gravidade dos sintomas, e a alteração
da qualidade de vida do paciente", afirma o Dr. Quilici.
"Nas fissuras e ulcerações da doença
de Crohn a cirurgia é contra-indicada, pois ao contrário
de melhorá-las, elas em geral se agravam."
A vida da jovem Patrícia Cristina Pauli, que mora na cidade
de Sinop, no Mato Grosso, não tem sido fácil nos
últimos dois anos e meio. Portadora de Crohn, ela vem travando
uma batalha intensa para conseguir a remissão de uma estenose
anorretal. "Sinto muita dor para ir ao banheiro, tenho que
tomar laxante constantemente e a cada três semanas faço
lavagem intestinal", diz ela. Esses procedimentos e o tempo
que perde com a higiene impedem a moça de trabalhar fora.
"Nem sempre as pessoas entendem as minhas dificuldades porque
aparentemente eu não tenho nada", lamenta. Mas, como
toda história, a de Patrícia também tem um
lado positivo. Além da sua família, ela conta com
o firme apoio do namorado Nilson, de 25 anos. "Nós
queremos nos casar", diz ele, apaixonado. "A doença
dela não vai impedir que a gente seja feliz."
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Patrícia
e o namorado: "A doença não vai impedir
que a gente seja feliz" |
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