De Olho no Íleo

Obesidade na doença de Crohn

A obesidade parece não alterar significativamente o curso da doença de Crohn. Um estudo retrospectivo envolvendo 2.065 pacientes portadores de Crohn, mostrou que apenas 62 deles, ou seja, 3% eram obesos. Estes pacientes obesos tendiam a ter o diagnóstico realizado com idade mais avançada do que os não obesos, mas não houve diferença quando comparados sexo, local da lesão intestinal e comportamento da doença.
Com relação à complicação e severidade da doença, os índices dos pacientes obesos e dos não obesos coincidiram, mas os obesos apresentavam lesões perianais, ou seja abscessos e fístulas perianais, em período mais precoce do que os não obesos.
Os investigadores desta pesquisa, publicada no Clinical Nutrition, concluíram que a obesidade na doença de Crohn está associada a uma maior freqüência de complicações anoperianais, mas não altera significativamente o curso de longo prazo da doença. A definição de obesidade utilizada neste estudo foi índice de massa corpórea maior que 25 no momento de desencadeamento da doença e maior do que 30 no curso da doença. Importante lembrar que a obesidade é incomum nos portadores de Crohn.

Significado clínico
do granuloma na doença de Crohn

Oitenta e dois pacientes foram seguidos, na divisão de Gastroenterologia e Patologia da Clínica Mayo- Scottsdale - Arizona - Estados Unidos, no período de 90 a 94. Destes, 61 não apresentaram granuloma na biópsia, e 21, ou seja, 25,6% dos casos, o apresentavam. Os pacientes foram acompanhados durante dois anos à partir deste controle, e já apresentavam a doença em média por um período de 8,8 anos. Ao final dos 2 anos não foram verificadas diferenças significativas nos dois grupos quando correlacionados com incidência de fístulas ou lesões perianais, aftas orais, severidade da doença, artralgia, complicações oculares e dermatológicas.

Valores dos marcadores sorológicos
na colite indeterminada

Na ausência de marcadores patognomônicos para a doença de Crohn e colite ulcerativa, os casos indeterminados apresentam uma dificuldade grande de diagnóstico diferencial. Atualmente se utilizam os marcadores sorológicos ANCA e ASCA na tentativa de se definir os casos indeterminados de colite. A utilização desses marcadores permitiu a chegada ao diagnóstico em 31 de 97 pacientes - ou seja, 32% dos casos. Os resultados mostram que o achado ASCA (+) de ANCA (-) pode corresponder à doença de Crohn em 80% dos casos com colite indeterminada. Já o achado ASCA (-) e ANCA (+), mostra colite ulcerativa em 63,6% dos casos. Interessante lembrar que 48,5% dos pacientes não apresentam nem ASCA nem ANCA, e a maioria destes pacientes continua com diagnóstico de colite indeterminada na seqüência da sua doença. Estes casos aguardarão até o momento em que talvez exista um novo marcador clínico sorológico, patognomônico para alguma das entidades mencionadas.