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A importância da campanha para a conscientização
médica e populacional sobre as medidas de prevenção
do câncer colorretal
Por Dra. Angelita Habr-Gama*
Os dados epidemiológicos disponíveis permitem
configurar o câncer como problema de saúde
pública no Brasil. Além da mudança
de hábitos de vida da população, fatores
como o aumento da expectativa de vida, a industrialização
e urbanização e os avanços tecnológicos
na área de saúde, também estão
relacionados com o desenvolvimento do câncer.
O aumento da mortalidade proporcional por câncer não
se deve necessariamente ao aumento real da doença.
Deve-se, principalmente, ao controle progressivo de outras
doenças e ao progresso tecnológico observado
na medicina nas últimas décadas, fato que
tem proporcionado maior acuidade diagnóstica para
o câncer. (INCA, 2001).
O câncer colorretal (CCR) constitui problema de saúde
em todo o mundo, com cerca de 950.000 casos novos ocorridos
em 1996, o que representa cerca de 9% de todos os cânceres.
É a terceira causa de morte no mundo, sendo a segunda
nos EUA e a quinta no Brasil. A incidência no Brasil
é estimada ao redor de 7-18 / 100.000 homens e 5-14,
5% / 100.000 mulheres no ano 2.000. A maior incidência
é na região sudeste, representando o segundo
lugar dentre todas as neoplasias, seguindo-se a do câncer
de mama. São Paulo tem a maior incidência estimada
em 18 / 100.000 casos (INCA).
Apesar dessa enorme incidência e do alto investimento
em pesquisas sobre o CCR durante os últimos anos,
o impacto sobre os índices de mortalidade foi muito
pequeno, permanecendo a média de sobrevida de 5 anos
ao redor de 50%. O câncer colorretal com freqüência
produz sintomas pouco perceptíveis aos doentes até
que a doença esteja em fase avançada.
Quando o câncer colorretal é detectado em fase
assintomática, o índice de sobrevida de 5
anos alcança 90%. A grande maioria dos tumores começa
como adenomas benignos e por sua ressecção
uma alta porcentagem de cânceres pode ser prevenida.
Esta afirmativa já foi provada através de
estudos bem conduzidos que demonstraram que a ressecção
de adenomas reduz a mortalidade por CCR. Infere-se, portanto,
que este câncer preenche todos os critérios
para campanhas de conscientização médica
e populacional, para rastreamento em indivíduos assintomáticos,
caracterizados como população de risco para
CCR, e para diagnóstico precoce nos indivíduos
sintomáticos.
Por rastreamento, entende-se a aplicação de
provas de fácil execução para uma massa
populacional assintomática, com o objetivo de selecionar
indivíduos os quais, ainda que assintomáticos,
devem submeter-se aos métodos mais específicos
e de maior complexidade para detecção de câncer.
Os programas de rastreamento devem ser bem definidos e incluir
os indivíduos mais susceptíveis de ter CCR,
ou seja, aqueles nos quais o risco de desenvolvimento do
câncer justifica sua inclusão num programa
de estudo, mesmo na ausência de sintomas.
Cerca de 75% dos casos novos de CCR ocorrem em pessoas sem
fatores predisponentes reconhecidos. A incidência
aumenta a partir dos 40 anos. Nesta idade, os indivíduos
são considerados com risco médio para CCR
e este risco dobra a cada década. Os casos restantes
ocorrem em indivíduos com história familiar
conhecida de CCR, de adenomas ou de tumores colorretais
prévios, bem como de doenças inflamatórias
de longa duração. Estes indivíduos
são considerados como de alto risco e o conjunto
de medidas empregadas para prevenção ou detecção
precoce de câncer, é definido como vigilância.
A maior problemática dos programas de vigilância
e, sobretudo, dos de rastreamento, é o aspecto econômico.
Devido à variação de custo e de sensibilidade
dos diversos métodos disponíveis é
necessário considerar a relação custo/benefício.
O método mais comumente empregado para rastreamento
é ainda a pesquisa do sangue oculto nas fezes, realizado
por diferentes técnicas. Este teste é apenas
justificável em estudos populacionais controlados
com repetição anual para reduzir ao mínimo
o problema dos falsos negativos.
O método realmente confiável para a detecção
de pólipos é a colonoscopia; entretanto, o
alto custo do exame limita sua indicação para
método de rastreamento. Deve ser indicado para os
doentes de maior risco, bem como para aqueles de baixo risco
que tiverem resultados positivos com métodos de rastreamento
mais econômicos como toque retal, retossimoidoscopia
rígida ou flexível, e teste de pesquisa de
sangue oculto nas fezes.
Em 1999, o Congresso Nacional dos Estados Unidos designou
oficialmente Março como o mês da conscientização
do câncer colorretal. Este ato foi o resultado de
intenso trabalho de muitas organizações com
interesse comum na prevenção do CCR. A publicidade
associada a esta campanha, aumentou consideravelmente a
solicitação do povo americano para rastreamento
para esta neoplasia.
O Cancer Research Foundation of América reportou
recentemente como se encontra a consciência pública
em relação ao câncer colorretal, no
que se refere a sua gravidade, prevalência, sensibilidade
e tratamento. Foi realizada pesquisa através de 1.104
entrevistas por telefone e concluiu-se que a população
dos Estados Unidos, apesar de tudo, permanece desinformada.
No Curso de Atualização em Gastroenterologia
(GASTRÃO) realizado em São Paulo em julho
de 2001, foi convidada a dra. Ernestine Hambrick, presidente
da Fundação STOP/CANCER, entidade sem fins
lucrativos criada em 1997, para prevenção
do câncer colorretal dos EUA. Proferiu palestra sobre
a importância da campanha para conscientização
médica e populacional sobre o câncer colorretal.
Iniciamos, a partir de então, reuniões mensais
que têm sido realizadas no INCA - Instituto Nacional
do Câncer, no Rio de Janeiro, com o objetivo de traçar
metas para uma campanha semelhante a dos EUA aqui no Brasil.
Recebemos apoio do Instituto Nacional do Câncer -
INCA, e das sociedades médicas: Sociedade Brasileira
de Coloproctologia, Associação Médica
Brasileira, Colégio Brasileiro de Cirurgiões,
Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, Sociedade
Brasileira de Endoscopia Digestiva, Sociedade Brasileira
de Cancerologia e Associação Brasileira de
Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, além
do Ministério de Saúde.
A Campanha, que seguramente terá importante repercussão
no país,
já produziu um folheto explicativo
que está sendo distribuído aos colegas que
atendem especialidades ligadas
a Gastroenterologia. n
· A professora e dra. Angelita Habr-Gama é
coordenadora desta campanha
Legenda: Folheto explicativo da Campanha de Prevenção
de Câncer Colorretal:
iniciativa promissora
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