| Retocolite
Ulcerativa ou Doença de Crohn?
A
Retocolite Ulcerativa é uma doença inflamatória
da mucosa e da submucosa do intestino grosso que se inicia,
geralmente, na região retossigmoideana. Pode se desenvolver
na continuidade do órgão, até abranger
todo o intestino grosso, ou se estabelecer apenas no reto,
a região mais acometida pela doença. A Retocolite
Ulcerativa se carateriza por ulcerações irregulares
que tendem a crescer, comprometendo grandes áreas,
até atingir, nos casos mais extremos, toda a mucosa
do segmento afetado.
O principal diagnóstico diferencial da Retocolite
Ulcerativa é a Doença de Crohn colorretal,
que pode ocorrer em todo o tubo digestivo, desde a boca
até o ânus, invadindo o intestino grosso em
aproximadamente 40% dos casos, com ou sem o envolvimento
do intestino delgado. A Doença de Crohn é
caracterizada também por surtos inflamatórios
com ulcerações da mucosa, mas , diferentemente
da Retocolite Ulcerativa, apresenta lesões profundas
na parede intestinal. Em geral, a Doença de Crohn
afeta o cólon direito do intestino grosso, mas também
pode acometer o cólon esquerdo ou todo o órgão,
apresentando lesões em continuidade. Nesses casos,
outras características podem Ter muita importância
para o diagnóstico correto, como a formação
de estenoses e fissuras.
Nas biópsias em que o tecido retirado é superficial,
somente um profissional com muita experiência pode
chegar ao diagnóstico correto entre a Retocolite
Ulcerativa e a Doença de crohn. As biópsias
devem ser seriadas e identificadas para a patologista possa
estudar a continuidade do processo ao longo de todos os
segmentos afetados, uma das características da Retocolite
Ulcerativa .
A reepitelização constante dos segmentos afetados
pode levar ao aparecimento de diversos tipo de mutação
genética. Essas mutações podem determinar
alterações importantes da mucosa intestinal,
que vão desde atipias simples até a formação
de câncer invasivo. O câncer ocorre numa projeção
de 2% a 7% dos casos, e o seu desenvolvimento pode ser precedido
de alterações da mucosa – detectáveis
no exame colonoscópico de controle em 4% dos casos.
Nos quadros mais severos, indica-se a retirada cirúrgica
do segmento acometido, evitando-se o desenvolvimento de
tumor maligno. Com o intuito de rastrear a população
colítica de maior risco para o câncer, recomenda-se
a realização de múltiplos exames com
biópsias seriadas em intervalos regulares de tempo.
DRA.VIVIANE RAWET
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