Coluna do Cólon

 

O que é novidade lá fora nem sempre é novo aqui

Foi-se o tempo em que quem tinha um problema de saúde, e pudesse pagar, recorria aos países do primeiro mundo, sobretudo os Estados Unidos, em busca de tratamento porque lá estava concentrado tudo o que havia de mais moderno na medicina – profissionais especializados, equipamentos e técnicas de procedimento. Os pacientes de colite ulcerativa podem ficar sossegados porque no Brasil, além de bons médicos, temos terapias de tratamento idênticas às que são indicadas no exterior. O que ocorre é que talvez os médicos brasileiros não façam tanto barulho na imprensa especializada. Pelo menos é o que parece porque duas notícias foram publicadas no começo do ano na imprensa americana como se trouxessem alguma novidade. Uma delas, na edição de fevereiro do jornal de Gastroenterologia, fala de um estudo mostrando que a endoscopia não é tão recomendada para controlar a atividade da colite ulcerativa, segundo os pesquisadores do Sistema de Saúde da Universidade de Michigan. “O estudo sugere que a endoscopia não é um componente determinante para apontar o desenvolvimento desta doença e que há outras alternativas, mais baratas e não invasivas, para avaliar a sua atividade”, disse o Dr. Peter Higgins, conferencista da Universidade. No meio médico brasileiro, este resultado não causou surpresa. “A endoscopia não é carta fora do baralho para diagnosticar a atividade da colite ulcerativa, mas ela tem que ser indicada com mais moderação”, diz o Dr. Aytan Sipahi, gastroenterologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo. “Há outros procedimentos que podem contribuir para esta avaliação.”

A mesma reação teve a coloproctologista Dra. Magaly Gemio Teixeira, também do HC, com relação à uma notícia sobre a técnica de cirurgia de laparoscopia que foi realizada, com bons resultados, numa clínica da Flórida, em pacientes de colite ulcerativa que precisaram passar por uma intervenção cirúrgica. “Há muito tempo este procedimento é usado nos casos de pacientes que precisam retirar o intestino grosso. O que muda é a via de acesso que, na laparoscopia é feita em vídeo”, explica a Dra. Magaly. A médica diz que este procedimento em vídeo encarece bem o tratamento e que, portanto, depende dos recursos financeiros do paciente. Os cateteres usados, por exemplo, são importados e descartáveis depois do uso. “Em geral, a laparoscopia é indicada para os pacientes que nunca passaram por uma cirurgia e precisam resolver seu problema no intestino”, diz a médica que, para esses casos, costuma fazer um acesso combinado, ou seja, via vídeo e via incisão. Em tempo: esta cirurgia pode ter até oito horas de duração.